01maio

Dieta na gravidez e na amamentação: pode ou não?

Muita gente fala “agora você tem que comer por dois”. Embora a gente morra de vontade e ame essa desculpa, sinto muito amiga, mas é  MENTIRA! #fuéfué

Uma mulher grávida precisa de 200 a 300 calorias a mais no dia para fabricar o bebezinho. (pooooooxa, só isso?)

Pensando nisso, reunimos umas dicas de alimentação e saúde que podem ser úteis pra você!

A ideia não é comer mais por conta da gravidez, e sim comer melhor de acordo com a necessidade do seu corpo!

Grávidas podem fazer dieta?

Não é recomendado emagrecer na gestação, afinal seu corpo vai usar tudo o que ele tem de melhor para produzir o serzinho dentro de ti.  

A não ser que você tenha engordado muito e/ou tenha agravado algum quadro de saúde, daí o obstetra irá orientar sobre uma possível dieta.

Se esse não for o caso, o ideal é fazer uma dieta equilibrada.

Quando cuidamos da gente melhora muito nossa auto estima. E só quem é/foi gestante sabe da importância de estar de bem consigo! São tantas transformações hormonais, psicológicas e físicas que fica difícil manter-se sã o tempo inteiro, hehe.

O melhor é fazer uma alimentação que inclua todos os grupos alimentares: verduras, frutas (as secas também), legumes, amêndoas, carnes, cereais e os (maravilhosos) laticínios (esses aqui com moderação, desde que você não seja intolerante e que seu médico autorize).

Por mais deliciosa que seja, tente fugir das frituras, principalmente se você sofre com azia.

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Já durante a amamentação…

 

É importante saber também que seu corpo precisa de uma reserva para o período da amamentação, então se preocupe em balancear os alimentos, mas sem muita nóia com a balança.

Durante a amamentação você vai perder peso naturalmente (oba, oba!), É surpreendente como os bebezinhos engordam só tomando nosso leite… 

Você sabia que se perde até 900 calorias por dia durante a amamentação? (THANKS GOD)

Nesse período o consumo de gorduras saudáveis, como a da castanha e do abacate, são ótimas para o crescimento do bebê.

Uma guloseima de vez em quando… desde que seu médico permita e você e o bebê se sintam bem… Maravilha! 🙂 Ainda assim tente escolher as opções mais saudáveis de doces!

 

Como manter o peso na gravidez?

 

Ah, uma dica que parece bobinha, mas SUPER importante:  seus hábitos alimentares vão determinar também os hábitos alimentares do seu filho.

Então, se você não quiser ter aquelas discussões com ele sobre a importância de comer frutas e verduras, comece a comer já. Sinto dizer, mas uma das poucas verdades que a maternidade me trouxe é que as crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelas nossas próprias palavras.

Pra finalizar, acho que saúde e bem estar é muito mais do que uma questão de alimentação. Cuidar da gente inclui cuidar da nossa mente, fazer atividades prazerosas e se permitir sem culpa de realizá-las. Mesmo que o tempo que a gente tenha disponível pra isso seja 5 minutinhos, dá pra fazer valer, né? E fica tranquila, esse corre corre logo passa. 🙂

Ah, e sem muita nóia com o corpo, viu? Ele muda muito e muito rápido nesse período.

Curte esse momento que vai deixar saudade!

 

 

Lí algumas dessas informações na FIOCRUZ e no Mães GNT.

04jul

Escolher bem para nutrir melhor!

Você conhece aquela frase “Comer bem para viver melhor”? Foi inspirada nela que escolhi o título deste post, muito apropriado para o contexto gestação-lactação. Isto porque a alimentação da mãe, que se aprimora da mais sublime essência do “cuidar” através da experiência da maternidade, deve ser voltada para a nutrição do filho. Portanto, escolher bem o que comer é essencial neste período!

Em primeiro lugar, devemos estar atentos à variedade alimentar, incluindo pelo menos 40 alimentos diferentes por semana, entre os alimentos recomendados para manutenção da saúde. Vou acrescentar aqui a lista que utilizo no consultório, incluindo alguns temperos, mas, caso você tenha outros alimentos na sua região, predominantemente naturais, reconhecidos como “saudáveis”, saiba que pode incluí-los na sua própria lista. Sem problemas!

comida-saudavel-gravidez

Lista de Alimentos Recomendados

Grupo 1 – Grupo dos temperos, especiarias, café e chás:

Café, mate, chimarrão, chás, açafrão-da-terra, curry, pimentas, raiz forte, salsinha, cebolinha, hortelã, coentro, cominho, tomilho, páprica, dill, gengibre, alecrim, cravo-da-índia, canela, louro, manjericão, manjerona, noz moscada, sálvia, cardamomo, erva-doce. (atenção gestantes e lactantes, antes de consumir alimentos desse grupo, consulte seu médico).

Grupo 2 – Grupo dos carboidratos de menor densidade calórica:

Alface, acelga, rúcula, escarola, chicória, almeirão, espinafre, agrião, pimentão, couve, couve-de-bruxelas, couve-flor, brócolis, aipo, nabo, rabanete, mostarda, repolho, radíquio roxo, radicche, salsão, alho-poró, abobrinha verde, quiabo, chuchu, vagem, pepino, jiló, aspargos, alcachofra, berinjela, cebola, alho, palmito, cogumelos, tomate, cenoura, beterraba, brotos, algas.

Grupo 3 – Grupo das frutas:

Abacaxi, maçã, mamão, banana, pera, morango, amora, açaí, mirtilo, cereja, framboesa, physallis, caqui, uva, melancia, laranja, limão, limão, tangerina, pomelo, manga, jabuticaba, melão, goiaba, ameixa, pêssego, romã, nectarina, pitaya, fruta-de-conde, kiwi, acerola, caju, côco (polpa), maracujá e frutas secas (ameixa, mirtilo, maçã, gojiberry, figo, uva-passa, cramberry, damasco, tâmara, banana-passa, lascas de côco, outras).

Grupo 4 – Carboidratos de maior densidade calórica:

Arroz integral, arroz selvagem, pão integral, trigo de quibe, gérmen de trigo, trigo sarraceno, aveia, cevada, centeio, amaranto, quinoa, macarrão de trigo integral, macarrão de arroz, macarrão de milho, macarrão de grão-de-bico, batata inglesa, batata doce, batata salsa, batata yacon, mandioca, milho-verde, cará, inhame, tapioca, abóbora, moranga, feijão branco, feijão vermelho, feijão preto, feijão azuki, ervilha, lentilha, soja em grão, pinhão e grão-de-bico.

Grupo 5 – Grupo das proteínas:

Carne vermelha magra, frango, peixe, marisco, mexilhão, ostra, camarão, lula, ovos, queijos brancos, tofu, proteína de soja, proteína de arroz, proteína da batata, proteína da carne, proteína do soro do leite (whey protein).

Grupo 6 – Grupo das gorduras:

Azeite de oliva extravirgem, azeite de semente de uva extravirgem, óleo de côco, abacate, castanha-do-Pará, castanha de caju, amêndoa, pistache, avelã, noz pecã, noz macadãmia, noz chilena, amendoim, semente de abóbora, semente de gergelim, semente de girassol, semente de linhaça, semente de chia, manteiga ghee, pasta de amendoim, pasta de gergelim.

Grupo 7 – Grupo dos leites, iogurtes, kefir e coalhada:

Leite de vaca, leite de soja, leite de amêndoa, leite de arroz, leite de aveia, leite de côco, coalhada, leite fermentado, kefir, iogurte de vaca, iogurte de cabra, iogurte de ovelha.

Ficou bem claro? Para ter uma boa variedade alimentar, você deve incluir semanalmente pelo menos 40 alimentos desta lista ou de uma lista que inclua outros alimentos de sua região. Faça boas escolhas!

Agora vamos fazer uma outra abordagem. Ao compor uma dieta saudável, devemos fazer com que ela seja, entre outras características, predominantemente anti-inflamatória, antioxidante e alcalinizante. Isso quer dizer que ela pode incluir alimentos inflamatórios, alimentos que não ofereçam proteção antioxidante e alimentos acidificantes, mas, no cômputo final, deve ser predominantemente anti-inflamatória, antioxidante e alcalinizante. Lembrando que “nem todo alimento saudável é saudável para você”, quero chamar a atenção para alguns”bons alimentos” que provavelmente lhe serão benéficos. São eles:

10 alimentos anti-inflamatórios poderosos:

1 – peixes ricos em ômega-3 (como salmão, anchova, linguado, bacalhau, atum e sardinha)

2 – “berries” ou frutas vermelhas (como mirtilo, gojiberry, morango, cereja, framboesa, açaí e amora)

3 – açafrão-da-terra

4 – vegetais crucíferos (como couve, couve-flor, couve-de-bruxelas, brócolis e repolho)

5 – azeite de oliva extra-virgem

6 – alho

7 – cebola

8 – gengibre

9 – abacate

10 – mamão

10 alimentos antioxidantes poderosos:

1 – Frutas vermelhas (como mirtilo, gojiberry, morango, cereja, framboesa, açaí e amora)

2 – Frutas cítricas (como laranja, limão e tangerina)

3 – Acerola

4 – Romã

5 – Maçã

6 – Cenoura

7 – Tomate

8 – Chocolate amargo e cacau

9 – Azeite de oliva extravirgem

10 – Suco integral de uva

10 alimentos alcalinizantes poderosos:

1 – Frutas cítricas (como laranja, limão e tangerina)

2 – Ameixa umeboshi

3 – Vegetais verdes, como salsinha, espinafre e brócolis

4 – Semente de abóbora

5 – Alho

6 – Pepino

7 – Germinados

8 – Chá verde

9 – Sal marinho

10 – Sal Rosa do Himalaia

Parece complicado, mas não é. As propostas não entram em conflito. Alguns alimentos até se repetem, não é mesmo? Se você precisar de ajuda, procure um/uma nutricionista para lhe orientar neste jogo inflamatório x anti-inflamatório, oxidante x anti-oxidante, acidificante x alcalinizante. Como regra geral, lembre-se de que os alimentos de origem animal tendem a ser mais inflamatórios, acidificantes e não oferecem proteção antioxidante. Alguns hábitos ritualísticos podem ser interessantes, como água morna com limão em jejum.

Desta forma, espero estar contribuindo para que enriqueça o seu hábito alimentar agora, mais do que nunca! E, sendo bem sincera, quero que se lembre sempre de mim ao fazer suas escolhas através da frase “Escolher bem para nutrir melhor“!

Beijos e até a próxima coluna!

Dra. Isabela David

Nutróloga (CRM/SC 6.356)

 

19jun

Por uma vida mais saudável (e mais magra!)

Meu corpo é teimoso. Ele assumiu um peso que simplesmente não quer baixar mais. Ele tem fé “naquele” número.

E olha que anos atrás (não muitos, juro!), bastava controlar a alimentação durante a semana e pronto! Lá iam embora os malditos quilos todos, junto com aquele culote perigoso, a papada saliente e o bracinho de polenteira. Ui, saudade!

Hoje faço tudo isso simplesmente pra não engordar, mas ainda assim, parece que a balança consegue aumentar de vez em quando (ô injustiça!).

Claro que, por trás disso tudo, tem a questão mais importante: a saúde. Ainda que por pura estética eu não esteja satisfeita, quero ser uma velhinha porreta.

Resolvi então procurar uma profissional pra me ajudar, foi aí que conheci a doutora Isabela David, médica nutróloga que se dedica a engenharia aplicada ao tempo de vida saudável, em outras palavras, a envelhecer com saúde. E claro que, no meu caso, saúde tem tudo a ver com emagrecimento. (uma cajadada, dois coelhos!).

O trabalho consiste em um super mapeamento sobre a minha saúde e um tratamento individualizado, inclusive com orientação alimentar. Estou amando, em outra situação, conto mais pra vocês!

Fiquei tão encantada com o trabalho que convidei a Isabela pra ser parceira do blog, e a partir de agora vocês vão poder contar com alguns textos dela por aqui também.

Confira a primeira coluna! Hoje com uma pequena introdução minha, uma forma de apresentá-la a vocês 🙂

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Nem todo alimento saudável é saudável pra você! (por Isabela David)

dieta-saudavel

Hoje estou começando uma coluna no Agora sou mãe. É a minha segunda experiência com uma coluna em um site. Tenho que dizer que a melhor recordação daqueles anos em que escrevia semanalmente para o site da ABRAN são as mensagens carinhosas que recebia de meus “seguidores”, ou seja, aquelas pessoas que gostavam de dividir comigo o prazer da leitura dos meus artigos, o prazer de receberem as informações que eu tão prazerosamente a eles estendia.

Não posso deixar de comentar que gosto muito de lidar com gestantes e lactantes, especialmente as mães de primeira viagem que se sentem pisando em “terras desconhecidas”, quando cada passo tem que ser dado com extremo cuidado. E é verdade: a experiência de ser mãe nos faz mergulhar no significado do “zelo” em uma dimensão que (geralmente) não conhecíamos até então. Uma experiência única. No meu caso, como médica nutróloga, sinto que minhas pacientes gestantes e lactantes depositam em mim a expectativa de lhes assistir nesta caminhada, de estar ao seu lado, tirando as dúvidas que inevitavelmente lhes inquietam. E como não?

Então, para começo da nossa conversa, preciso deixar uma coisa bem clara: quando comentar sobre um determinado alimento, nunca estarei exatamente recomendando que você o ingira. A Medicina Genômica, que foi se constituindo após a conclusão do fantástico Projeto Genoma Humano, concluído em 2003 – projeto internacional que identificou e realizou o sequenciamento de nossos genes – nos coloca muito claramente:

Nem todo alimento considerado saudável, é saudável pra você.

A partir dessa ideia, tenho como intenção nos meus textos:

  • Despertar para a inclusão de determinados alimentos em seu hábito alimentar, desde que você se sinta bem ao consumí-los.
  • Propor determinadas combinações de alimentos que favorecem um melhor equilíbrio metabólico ou o controle do peso
  • Detalhar a adequada oferta de nutrientes para a saúde do feto e do lactente, assim como para a sua saúde

Mas nunca estarei afirmando que algum alimento específico lhe é recomendado. Isto porque, hoje sabemos, toda dieta deve ser individualizada!

De fato, a Medicina Genômica é dita “Mais Personalizada” porque passamos a entender que nossos genes influenciam a nossa resposta à dieta, conhecimento enraizado na ciência conhecida como Nutrigenética, um dos pilares da Nutrição do Século XXI. Além disso, temos as particularidades decorrentes de processos de doença ou desequilíbrios orgânicos, como a disbiose intestinal e as intolerâncias alimentares adquiridas.

Espero contribuir da melhor forma possível para que todas as gestantes e lactantes que acompanham o Agora sou mãe desfrutem de uma alimentação que contribua para a saúde de seus filhos ao longo da vida, uma vez que a alimentação correta nestas fases de desenvolvimento deste novo ser em formação repercute até mesmo na fase adulta, estando estreitamente vinculada à escolha “correta” dos alimentos.

Dra. Isabela David

Nutrologia Preventina

Contato: isabela.nutre@gmail.com

 

28jul

Remédio para enjoo na gravidez?

O sonho de quase toda gestante é encontrar um remédio contra os enjoos na gravidez.

Pois como uma milagreira, a popozuda Kim Kardashian surgiu com uma dica de “amigue” que deu o maior bafafá, até porque a moça, ao que tudo indica, recebeu um faz-me-rir do tamanho de seu popô ao divulgar o Diclegis, remédio anti enjoo para as gestantes.

diclegis-remedio-enjoo-gravidez

OMG. Have you heard about this? As you guys know my #morningsickness has been pretty bad. I tried changing things about my lifestyle, like my diet, but nothing helped, so I talked to my doctor. He prescribed me #Diclegis, I felt a lot better and most importantly, it’s been studied and there was no increased risk to the baby. 

 

“Meu Deus! Vocês já ouviram falar disso? Como vocês sabem, meus enjoos na gravidez têm sido péssimos. Tentei mudar algumas coisas do meu estilo de vida, como minha dieta, mas nada ajudava, então falei com meu médico. Ele prescreveu Diclegis. Eu me senti muito melhor. O medicamento foi estudado e não oferece riscos ao bebê.”

*** Falando nisso já leu aqui sobre a pulseira anti-enjoo na gravidez?

Após a publicação, Kiki foi bombardeada com questionamentos não só sobre a medicação, mas também a respeito de sua conduta. “Kim, eu não recomendaria um medicamento a 39 milhões de pessoas”. Disse um seguidor do seu instagram. Outros a criticaram por não informar que se tratava de uma publicidade em sua rede social.

A verdade é que o medicamento existe nos Estados Unidos desde os anos 70, onde era usado por grande parte das gestantes com o nome de Benedictin, feito a base de vitamina b6 e anti-histamínicos. Sua eficácia contra os enjoos era comprovada. Até que um belo dia, certa mulher alegou que seu filho nasceu com problemas cardíacos por conta da medicação e processou a empresa. A partir daí, várias mulheres processaram o laboratório por causa de malformações em seus bebês. Embora não tenha sido comprovada a relação das deficiências com o medicamento, o mesmo foi retirado das prateleiras.

Em 2003 Diclegis voltou ao mercado americano, trazendo uma nova versão da mesma fórmula de Benedictin. O fato é que o medicamento é considerado controverso e algumas pesquisas não comprovaram que não faz mal ao feto no primeiro trimestre, período onde o enjoo é mais forte.

Na dúvida, fale com seu médico!

E cuidado com o que as celebridades indicam por aí! Tem muita lebre disfarçada de gatinho.

Fontes: Yahoo Parenting e Huffington Post.

16jul

Saiba quais são os direitos da gestante e do bebê assegurados pelo plano de saúde

planos-de-saude

Ao planejar – ou descobrir – uma gravidez,  uma das principais atitudes pode ser pesquisar seu plano de saúde. Principalmente porque existe uma carência de 300 dias para o chamado “parto a termo”. Isso faz parte da cobertura obstétrica, que assegura o parto e dá assistência de 30 dias ao recém-nascido sem carência, entre outros serviços. Entenda o que você precisa verificar no seu plano de saúde para garantir uma gravidez tranquila pra você e para o bebê.

Primeiro, é importante entender que seu plano possui uma determinada abrangência, que pode ser regional, estadual ou nacional. Neste caso, vale à pena ponderar se as viagens da família são frequentes e se a região do local de contratação oferece serviços médicos suficientes. Outro ponto importante é o tipo de cobertura que você procura, que pode ser ambulatorial, hospitalar e obstétrica. A contratação pode se dar de forma individual (com exceção da obstétrica) ou de forma combinado, ou seja, você pode ter as três.

O plano ambulatorial engloba apenas os atendimentos realizados em consultório ou ambulatório, inclusive alguns exames. O plano hospitalar compreende os atendimentos realizados durante a internação hospitalar. Já o plano hospitalar com obstetrícia engloba os atendimentos realizados durante internação hospitalar, procedimentos relativos ao pré-natal, assistência ao parto e ao recém nascido por 30 dias.

Quando o plano engloba de forma combinada as coberturas ambulatorial, hospitalar e obstétrica ele é chamado de plano referência. Uma das vantagens da contratação do plano referência é que após 24 horas do início da vigência do contrato, será garantida a cobertura integral (ambulatorial e hospitalar) para urgência e emergência aos beneficiários, sem qualquer tipo de limitação, a não ser para os casos de lesões ou doenças preexistentes.

Atenção aos seus direitos! Complicações no processo gestacional, como prenhez tubária, eclâmpsia, parto prematuro, diabetes e abortamento são considerados casos de urgência. Se o casal pretende ter filhos é recomendado contar com a cobertura obstétrica. O que pouca gente sabe é que essa cobertura no plano de saúde da mãe ou do pai (sim! o pai também pode optar pela cobertura obstétrica para assistência ao recém-nascido) traz os seguintes benefícios: atendimento ao recém nascido, filho natural ou adotivo, durante os primeiros 30 dias; inscrição assegurada do recém nascido no plano como dependente, isenta do cumprimento de carência, desde que a inscrição ocorra no prazo máximo de 30 dias do nascimento. Além disso, quando o parto do recém nascido for coberto pela operadora, não caberá qualquer alegação de doença ou lesão preexistente.

Porém para que seja assegurada a inscrição isenta do cumprimento de carência, o titular do plano deve ter cumprido o período de carência de 180 dias para assistência ao recém nascido. Caso o titular ainda esteja em carência, o recém nascido ainda terá direito de assistência e inscrição, porém deverá observar o prazo restante para o cumprimento da carência.

Outros fatores que devem ser observados:
1. Tipo de acomodação em caso de internação (coletivo ou individual).
2. Fator moderador (preço fixo ou com co-participação).
3. Tipo de contratação (individual/familiar ou coletivo por adesão).

Agência Nacional de Saúde Suplementar, ANS, oferece um guia de planos de saúde que auxilia no conhecimento e na comparação entre as opções comercializadas. No mesmo site também é disponibilizado um espaço para o consumidor conhecer e exercer melhor seus direitos, tais como coberturas, prazos, reajustes de preços e espaço para reclamações.

Informações coletadas através de entrevista com o assessor jurídico Luiz Fernando Schweidson e também pelo site da ANS.

Obs: publicado originalmente na minha coluna da Revista Donna! 🙂

29maio

Porque meu filho come miojo

miojo

Nunca tive nenhum tipo de intolerância alimentar e nunca fui gordinha.

Passei minha infância regada a bolacha bono, MUITO nescau, coca cola, chocolate, nega maluca, miojo, nuggets, lasanha e polenta.

A única comida de verdade que eu comia era arroz, feijão e bife.

Não comia salada e nenhum tipo de fruta.

Desde os meus 22 anos venho tentando melhorar minha alimentação. Comecei a comer alface e rúcula aos trancos e barrancos – mas só por causa da balança, depois arrisquei uma cenourinha ralada, brócolis e couve flor, e até hoje tenho minhas frescuras.

Semana passada, foi a primeira vez que comi uma banana, depois de quase 25 anos. Parei de comer com 4 anos, o pediatra dizia pra minha mãe não insistir – e esse discurso devia ser cômodo pra ela. Mas não vou julgar, até porque a informação que se tinha era completamente diferente naquela época, e não quero ser julgada também.

Sou a maior viciada em chocolate que eu conheço (e que todo mundo que me conhece, conhece).

A alimentação do Dudu é quilometricamente melhor do que foi a minha, mas ainda longe do que é considerado ideal. Ele come e ama quase todas as frutas – mínimo de 2 porções por dia, almoça e janta comida de verdade (sem frituras, nem industrializados), não bebe suco de caixinha (exceto no lanche coletivo da escola e em ocasiões esporádicas fora de casa) e encara uma saladinha, desde que bem cortada e camuflada no arroz.

Se ele já comeu todos as besteiras listadas na alimentação da minha infância? Sim (exceto refrigerante). Semana passada, inclusive, fiz um miojo porque estava na correria e minha ajudante tá de férias. Ainda assim tento dar sem aquele pó, e me sinto uma mãe de bosta, mas é a vida.

Essa semana a Bela Gil foi atacada nas redes sociais por postar uma foto da lancheira de sua filha, que continha banana da terra e batata doce, granola caseira e água. Alguns falaram inclusive que tinham pena da menina.

Pena. Por quê?

Porque ela come o que é saudável de verdade (e GOSTA), não produz lixo e está fazendo um bem pra ela? Sobre isso, escreveu uma BELA resposta em seu blog. Acho o máximo, e mesmo estando anos distante da realidade delas, acredito muito nesse modelo alimentar.

Para a consciência coletiva, a cultura e os hábitos de um povo mudar, precisamos de gente “radical”, que beire o absurdo para alguns. É assim que, normalmente, a sociedade desperta.

Estou assistindo ao seriado Mad Men (recomendo!), que se passa entre os anos 60 e 70. No início da temporada, fumar não fazia mal pra saúde, a indústria vendia o cigarro como algo magnífico. Todo mundo fumava em qualquer lugar. Quando um dos personagens sofreu um infarto, o médico recomendou que ele consumisse bastante manteiga e leite. Ninguém se excercitava, faziam piquenique e deixavam seu lixo no chão, e as mulheres que trabalhavam eram mal vistas, ou discriminadas.

Quanta mudança de lá pra cá, não? Já parou pra pensar o que vem pela frente? Ou tá pensando que o mundo parou na nossa cabeça? Eu me pergunto quantas das nossas “verdades” ainda vão cair, e quantas já estão caindo, mas a gente insiste em não enxergar.

Acho que nós, enquanto pais e cidadãos, devemos abrir nossos olhos e nossa cabeça, para as mudanças e melhorias que podemos fazer não só à alimentação, mas também com relação ao lixo, a água e o planeta em geral. Ninguém muda do dia pra noite, eu sei. São anos de uma vida agindo de uma forma e comendo porcarias, é impossível que uma atitude radical – pelo menos pra mim – seja realmente eficaz. Tô bem longe de ser exemplo!

Adquirir a consciência é o primeiro passo. Mas é claro que, além da luta contra os hábitos e vícios de uma vida, existem outras questões que dificultam com que as pessoas, ainda que com vontade, tenham a alimentação da Bela Gil.

Um dos problemas é a acessibilidade. Não é todo mundo que tem acesso a alimentos saudáveis. É muito mais fácil (e barato) dar um miojo do que ir atrás de alimentos orgânicos e cozinhar em casa. Sem falar no tempo! Tem gente que trabalha tanto que mal dá conta de fazer os deveres de casa com os filhos. Sei que isso não é o correto, mas infelizmente a realidade de muita gente é essa.

Comida saudável de verdade é sinônimo de perecibilidade, normalmente são mais caras ou difíceis de encontrar. Lembro que quando eu estava grávida tentei fazer uma reeducação alimentar. Parei quando tive que percorrer várias casas de produtos naturais e diferentes mercados da cidade atrás de cada produto da minha dieta prescrita pela nutricionista. Pro meu ritmo de trabalho, na época, foi bem difícil, até que eu desisti.

De lá pra cá essa situação já melhorou muito. A procura por esses produtos aumentou, logo fez com que a oferta nos locais crescesse também.

E nós?

Infelizmente, continuamos recorrendo aos industrializados e às caixinhas (porém reduzimos). Eu cedo ao pedido do Dudu por um iogurte do solzinho, ele ama comer sucrilhos com o pai, mas tudo dosado. Por outro lado, começamos a consumir orgânicos, procuro cortar as besteiras nos dias de semana e substituir o leite de vaca, além de incluir muitas frutas e verduras.

Se a nossa alimentação é a melhor de todas? Claro que não é. Mas a consciência e as pequenas melhorias, quando contínuas, podem quebrar os velhos hábitos a longo prazo. Procuro melhorar dentro da minha realidade, e sei que temos um longo caminho pela frente.

Tenho certeza de que pro Dudu, é muito mais fácil do que está sendo pra mim.

Queria eu ter tido a oportunidade de me alimentar como a filha da Bela Gil. Realmente não entendo porque há o preconceito com quem come comida de verdade, quando o inverso que deveria acontecer.

Acho que cada um pode melhorar dentro da sua realidade, sem precisar atacar o outro.

***

Uma ressalva:

Eu não dou miojo regularmente para o Dudu, nem considero como um alimento. Mas assim como ele come coxinha e pastel em festinhas vez ou outra, o miojo é uma exceção.