14fev

Maternidade: Expectativa x Realidade

Ah, saudade de quando minha única preocupação com a maternidade era educar meu filho.

Como assim? Você não educa mais?

Ah, a saudade era de quando eu educava e ele nem tinha nascido!

Sim. Eu educava antes mesmo de saber que queria teria um filho. Duvido que tô sozinha nessa. Bate aqui se tu tá nessa loucura comigo.

Quantas vezes a gente educou uma criança na imaginação e deu super certo?

E confesso, era facinho facinho, mamão com açúcar.

Eu sou ótima pra educar assim. Sempre sei a coisa certa a dizer. (Pelo menos nos ensaios no chuveiro eu sempre sou ótima!)

É cada situação que eu tiro de letra. (ironia modo on)

Nossa, como sou sensata e capaz de oferecer uma excelente e equilibrada educação. (Digo pra mim mesma, num ensaio sobre uma possível crise que ainda não aconteceu e que, logicamente, eu contornei muito bem)

Mas como aquelas mães deixam as crianças ficarem naquela folga toda?

AH, POIS É!

A maternidade é um eterno jogo de expectativa x realidade.

Tem algumas coisas que a gente precisa falar!

 

  • Amamentação

Meu filho vai mamar só no peito. Meu sonho é amamentar. É tão natural isso.

Essa é, talvez, a primeira frustração. Não é tão natural assim, e dói. As vezes sangra e racha. Tem gente que consegue e gente que não consegue. E tá tudo bem.

O que importa é alimentar o bebê e dar o seu melhor!

 

  • Os brinquedos

“Quando meu filho nascer, ele só vai ter brinquedos educativos. Televisão só mais velho e ipad nem pensar! “(dou risada só de lembrar disso!)

Daí você monta um quarto montessoriano, tem lugar para os brinquedos todos (um brinquedo mais fofo que o outro). Daí que ele fica dois minutos com cada brinquedo e larga (ou resolve passar horas com uma garrafa pet. sustentável!)

Sua casa vira um campo minado de lego (é cada pisada de pé que nois dá! dói no fundo da alma!)

 

  • Rotina

Meu filho vai dormir a noite inteira. É só seguir a rotina certinho que ele vai ser calmo e não dar trabalho. Os pais exageram um pouco falando que os filhos não dormem, devem estar fazendo alguma coisa errada!

Aham, e eu também não tenho olheiras eternas. A criança não é um robô. De fato rotina ajuda, mas não é assim tão milagroso. Tem criança que não dorme mesmo! (e azar o meu, e o seu, e o de quem mais for sorteado na roleta russa do sono infantil!)

 

  • Alimentação

“O filho da Ana não come brócolis, isso não vai acontecer com meu bebê. Ele vai comer de tudo e orgânico, claro.”

Daí começa a introdução alimentar e seu filho não gosta de nada, cospe tudo em você, no chão e nas paredes! É cada macarrão que nois dá e eles amam! (hahahahah)

É bom apresentar os legumes e as frutas e te-los sempre no prato, mas forçar não vai levar ninguém a lugar nenhum. Vai oferecendo que uma hora eles vão provar e vão gostar. (mas tem coisa que não tem jeito…)

 

  • Vida social

“Vou manter minha vida social, sair com os amigos, viajar, fazer academia…é só deixar o bebê com a minha mãe, minha sogra, a dinda!”

Daí você tá toda produzida pra sair, é só levar o filho. Bate aquela preguiça de tirar a criança da rotina, porque você já imagina o dia seguinte e sabe que vai ser o cão.

As vezes vale a pena, porque você desliga um pouco dessa rotina cansativa. Encontra com os amigos só pra conversar assuntos de adultos!

Vai ter os dias que você vai querer ficar em casa sim e tudo bem também!

 

  • Dia dia da educação

“Birra, isso é coisa de criança mimada. Meu filho não vai fazer birra nunca!”

TOMA! Tá lá ele jogado no chão do supermercado se debatendo e gritando enfurecidamente! Tá lá ele fazendo birra na cara do pediatra!

Ah, Põe a culpa no sono! haha #quemnunca

Respira fundo que não é a primeira nem a última.

 

  • Desfralde

“Não deve ter segredo, vou colocar um penico no banheiro bem fofo, com tampa, daqueles que tem música. Certeza que ele vai amar.”

Daí ele olha o troço e chora. Você tenta colocar ele ali um pouquinho e o treco parece que tem espinho. Ele sai correndo pela casa e faz xixi por todo canto, inclusive em você!

Conta até dez e limpa tudo. Vai acontecer de novo.

 

  • Convivendo com outros bebês

“É importante ter amigos desde bem pequeno, conviver com outras crianças pra brincar. Eles vão ficar amigos para sempre!”

Daí você chama as amigas mães, que têm filhos com idade parecida e socorro. Eles se mordem, se puxam, disputam o brinquedo, brigam, choram e isso tudo num loop sem fim.

Eles vão brigar muito ainda, mas não desiste, amigo de infância é aquele quentinho no coração.

É minha amiga, em tudo na vida expectativa é furada.

A gente sempre tem uma imaginação muito melhor do que é a realidade.

 

Quando abrimos mão do que a gente imaginou a vida fica leve e passamos a dar belas gargalhadas.
Confesso que tenho crises e crises de riso sozinha lembrando o antes e o depois!

09jun

O começo da vida [minha opinião sobre o filme]

 

Desde semana passada está disponível no NetFlix o documentário “O começo da vida”. Ontem eu finalmente consegui assistir e queria compartilhar minha opinião.

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Resumindo em poucas palavras (bem poucas, porque você pre-ci-sa assistir!), o filme fala de diversos aspectos do desenvolvimento infantil, do papel dos pais e cuidadores da criança e, principalmente, do que os adultos precisam fazer para entregar crianças que possam, de fato, contribuir para o futuro da humanidade. Tudo isso com enfoque na primeira infância, como o próprio nome do filme diz.

Entre os temas explorados estão: a compreensão da criança como um ser e como ela aprende a ver o mundo; o processo de construção da auto estima; experimentações, estímulos e conexões neurológicas; crianças como investimento na sociedade e o que isso representa na economia mundial; a importância do papel do pai; relacionamento com avós e cuidadores; contato com a natureza, consciência ecológica e alimentação, etc.

Tudo é apresentado de uma forma muito rica, com embasamento científico de profissionais espalhados pelo mundo (de diversas áreas) e ilustrados por personagens da vida real! As imagens são realmente lindas e tocantes e o conteúdo é divino! Convida a gente a refletir sobre quase tudo na criação dos nossos filhos, de uma forma bem positiva e construtiva.

 

E claro, fala de maternidade!

Quando resolvi comentar sobre o filme no meu snapchat (agorasoumae), contei que algumas partes me causaram um certo desconforto. Isso por ter sentido nas entrelinhas ideias como: “mãe precisa parar de trabalhar pra ficar com seu filho” ou que “seu filho vai ser uma pessoa melhor para a sociedade se você parar sua vida profissional, mesmo após a licença maternidade, para ficar com ele”.

Até achei que pudesse ser uma interpretação pessoal e isolada, mas depois que dei a cara a tapa no snap, recebi alguns comentários de mães que se sentiram incomodadas (e até com remorso), sobre esse ponto do documentário. Quero ressaltar que em momento algum eles recomendam que as mães não trabalhem pra cuidar dos filhos. Foi realmente nas entrelinhas, mas o suficiente pra deixar esse viés de interpretação, que eu e outras mulheres possam ter sentido.

Ah! E eu faço parte do privilegiado grupo de mães que pôde se dedicar exclusivamente ao filho durante os primeiros anos de vida.

Mas sabe por quê?

Porque eu estava feliz nessa situação, e assim eu escolhi. Embora eu trabalhasse num local que adorava, não tinha uma carreira sólida nem muito a perder. Colocando na balança minhas perdas e ganhos, foi muito fácil optar por ficar com o Dudu e pedir minha demissão. Além da minha família, naquela época, não depender da minha renda, o que foi primordial pra essa tomada de decisão.

Só que não podemos esquecer que existem mulheres que dependem financeiramente do seu trabalho, e outras que amam e simplesmente são mais felizes trabalhando fora após a expiração da licença maternidade. E outros ene motivos – que não nos dizem respeito – que fazem com que essas mulheres voltem ao trabalho. E isso, definitivamente, não determina o tipo de criança que a sociedade vai receber no futuro.

Segundo o documentário, crianças precisam de amor, dedicação e brincadeiras e conversa. Elas precisam de alguém diuturnamente de corpo e alma, comprometidos e interessados no seu crescimento. E esse alguém não precisa ser só a mãe. Esse alguém pode – e deve, ser “alguéns”. O pai, os avós, a escola ou até mesmo a babá.

Conheço “mães em tempo integral” que estão ali só de corpo. Vivem no celular, muitas vezes carrancudas e, mesmo passando o dia todo com a criança, sequer despendem sua atenção para ouvir o que ela precisa.

Assim como conheço mães que trabalham oito, nove, dez horas por dia e fazem literalmente um terceiro turno. Conversam, escutam e enxergam as necessidades de seus filhos.

E vem querer me dizer que qualidade de tempo não importa?

Importa sim! Criança precisa de mãe por inteiro, e feliz em ser mãe.

Claro que precisa existir um bom senso e equilíbrio entre qualidade e quantidade. A presença só é sentida quando a gente dedica um bom tempo do nosso dia aos filhos!

Mas por que (ainda) carregar esse fardo? Toda mãe quer o melhor pro seu filho. Mas pra isso, ela precisa primeiro ser feliz. Doar-se inteiramente à criança é um enorme gesto de amor, assim como cuidar de si. E se conseguir fazer tudo isso sem pressão e culpa, melhor ainda, né?

Só pra finalizar, isso não é um ataque ao documentário. Entendo o outro lado da moeda. Existem questões sociais e pouco apoio do governo às mães que precisam retornar ao trabalho com bebê em casa e talvez essa tenha sido a real intenção. O filme é maravilhoso, super bem feito e acho que todos os pais precisam assistir.

Veja o trailer!

 

03nov

Ele não lê palavras, mas lê figuras.

Rodeado pelos bichinhos favoritos na cama, Dudu escolhe um dos livros da prateleira e começa a nossa história. Primeiro eu leio, depois chega a vez dele.

Essa é (quase sempre) a nossa rotina antes de dormir. Às vezes falho, confesso.

Só que, de um tempo pra cá, passei a ser cobrada.

– Hoje não vai ter história, mãe?

Mas nem sempre foi desse jeito.

Até completar 2 anos, costumava sair e ficar impaciente depois da terceira ou quarta página, embora as três primeiras o deixassem paralisado. Aí entravam minhas habilidades dramáticas, sonoras e teatrais, quase sempre sem sucesso.

Tinha dias que perdia a paciência porque ele simplesmente parecia não estar nem aí pra história, o que de certa forma era normal pra idade.

Mesmo durando pouquinho tempo, nunca deixei de ler pro Dudu. A escola também fez um excelente trabalho. Hoje eu considero que o interesse dele pela leitura é enorme. Posso ler um livro extenso ou fininho, ele fica vidrado até o final.

Imagino que todo mundo saiba os benefícios de incentivar a leitura desde cedo. Por isso não vou falar de estudos ou qualquer comprovação científica disso. Mas pra quem quiser, a internet tá recheada dessas informações. Vou falar daqui de casa. Especificamente da recompensa que a gente ganhou ao cultivar o hábito da leitura.

Dudu-Leitor
com os presentes do clubinho do livro

Dudu não sabe ler. Mas quem disse que ele precisa disso pra ler um dos seus livros? Alguns deles foram memorizados, em outros ele conta uma “história inventada” (meus favoritos!). Observar o carinho dele com seus bichinhos ao ler uma história não tem preço. Isso significa que ele está reproduzindo um comportamento que vivencia – e gosta. Tirando a graça, né? Perco as contas das vezes que me seguro pra não rir das suas observações.

Falando nisso, eu e as blogueiras TopMothers resolvemos fazer um clubinho do livro, onde trocamos livros dos nossos pequenos. Enviei três do Dudu (para Mundo Ovo, Família Muda Tudo e Potencial Gestante) e recebi três aqui em casa também (de As Delícias do Dudu, Família Muda Tudo e Macetes de Mãe). Tão bom receber novidades sem gastar um tostão!

Essa ideia partiu depois da campanha Leia Para uma Criança, do Banco Itaú, da qual eu acompanho desde o início e tenho maior orgulho de divulgar. Por meio dela, você pode entrar no site, fazer o cadastro e receber – totalmente de graça e no conforto da sua casa – livros infantis para estimular ainda mais a imaginação do seu filho.

Acesse o site e se cadastre. #LeiaParaUmaCriança porque #IssoMudaoMundo.

post-patrocinado

 

08jul

Diário do Dudu

– Mãe, como tu lava teu cabelo?

– Ué filho, lavo no chuveiro.

– Mas tu só lava quando vai na casa da minha vó né? Porque mãe que lava cabelo de filho. Você que disse, ué.

Esse é o meu Dudu. E a regra que eu inventei, contra mim mesma.

****

Outro domingo qualquer, voltando da pizzaria com um casal de amigos:

– Mãe, posso dormir na casa do tio Digo e da tia Mi?

– Não dá filho, acho que lá não tem cama de criança, só cama de cachorro.

(momento de reflexão sobre o assunto)

– Ele morde?

(se não morder tudo certo, aceito a cama canina e ainda petisco um bifinho)

****

Argumentador e independente, ele fica bem em qualquer canto, com qualquer pessoa. Às vezes até demais, tanto que levou o apelido de folgado aqui em casa. Porque sim, ele é um lindo folgado. Chama o garçon no restaurante, pede o que quer, chega na casa dos outros e pede comida, pergunta o que vai ganhar de aniversário para-qualquer-um, ainda que eu tente explicar que não é legal, sempre escapa.

Ele QUER comer sozinho, assim como QUER recortar sozinho, e QUER se enxugar sozinho. É uma briga quando eu preciso apressar e dar uma colherada na boca sem que ele esteja afim. Normalmente vem o choro, e ele procura o espelho mais próximo pra se admirar enquanto manifesta suas caras e bocas dramáticas. “Sou lindo”, ele pensa.

Arruma o quarto sozinho – e adora. Esses dias tirou todos os sapatos pra fora porque, segundo ele, os pares não estavam juntos. Guardou tudo de novo, do jeito dele, claro. Ai de quem perder uma pecinha dos brinquedos, ou guardar as coisas nas caixas erradas.

“Ô família!”. É assim que ele comunica eu e o pai dele ao mesmo tempo. Parceiro de tudo, restaurante, cinema, viagens, fila, avião… Bate autos papos e adora um um passeio, é assim desde bebê.

Fica pê da vida quando a gente tá no celular. Não curte muito os eletrônicos. Tem o iPad mas troca por qualquer brincadeira à moda antiga. Nem dá muita bola, raramente pede por ele. Gosta mesmo de correr, jogar futebol, brincar com os heróis, fazer comidinha e pintura. Gosta de aventura, de gente, de papear. ZERO introspectivo. Sempre fico tensa com medo de ele falar alguma besteira e me colocar em maus lençois.

Tem um celular de verdade, velho e que não funciona. Não brinca com ele. Mas precisa sempre saber onde está. De vez em quando, do nada: Cadê meu celular? (leia no tom de Quedê meu xinélo?) – Acho que Froid explica.

AMA dormir. Chega, às vezes, a pedir pra ir dormir.

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Passa o dia todo mastigando, se deixar. Abre a geladeira umas 77632564 vezes por dia. SÓ quer comer. O tempo todo. Ama frutas e algumas (menos, só que beem menos) verduras. CHOCOLOVER, igual quenem à sua mãe. Churrascaria tem prejuízo, assim como rodízio de pizza.

Restam basicamente dois erros de pronúncia, que não faço a mínima questão de corrigir #adeusbebê. “Vem com migo mamãe”. E o verbo tirar ainda não tem o som do “r”, fica tiár, e ele conjuga todos os tempos dessa forma.

Isso sem contar os outros verbos e palavras hi-lá-rias que ele inventa e que a gente acopla ao nosso vocabulário. “Fendar” significa apertar com a chave de fenda. “Cortaria” lugar de cortar o cabelo. “Mulinho” é frango (não sei o por quê, mas pegou!). Esses coloquei ele de castigo porque me chamou de “Imbecilda”. E corri pro quarto pra rir, porque imbecilda foi bom.

Carinhoso, grude, amável, engraçado, carismático, sensível e tagarela.

Pede um irmão, mas quando vê um cachorro muda de ideia. E eu também (pelo menos reflito).

Mas aí quando não vê cachorro, quer um irmão. E eu também (pelo menos reflito).

dudu-lindo

Completa 4 anos no dia 24 de agosto!

14jan

O fantasma do filho único

Filhos únicos são egoístas e solitários. Pensam que são reis do mundo.

E pais que optam por um único filho são egoístas também.

Famílias grandes são mais felizes.

Quando vai ter outro? Não vai dar um irmãozinho(a) pra ele(a)?

Crown

 

Duvido algum pai ou mãe de filho único que não tenha ouvido pelo menos duas dessas frases. Embora eu já tenha ouvido todas. E falei também! Confesso.

O fantasma do filho único só perde pra um no ranking dos incompreendidos e julgados formatos familiares. E o Oscar vai para: O casal sem filhos por opção.

Algumas pessoas agem como se não ter filhos fosse um desacato à condição humana. Eu sinceramente, respeito e entendo a opção, embora pense diferente.

Não curto a ideia de terceirizar a criação. Vejo muita criança mais apegada à babá do que à mãe. Acho que isso me desmontaria. Ser mãe é muito diferente de ter um filho. Qualquer uma pode ter filhos aos montes, fica ainda mais fácil quando se tem dinheiro, avós, escolas boas, etc. É só pedir pra babá trocar a fralda e postar foto do bebê Johnson na rede social. Agora devolve que ele regurgitou.

Tem gente que tem filho porque gosta de bebê. Porque tá na onda dos amigos. Porque gosta de brincar de vez em quando com criança. Eu entendo que ter filho é também abrir mão de muita coisa, por muito tempo. Educar é a tarefa mais repetitiva e cansativa do mundo. É doar uma parte de ti tão grande que tu descobres que tem o dobro do teu tamanho. É se desdobrar em mil. E como cansa!

Ao mesmo tempo em que a sociedade julga um único (ou nenhum) filho, a mulher que ainda opta por cuidar da casa e da família é menosprezada, vista como incapaz, ou até preguiçosa. “Maternidade não é desculpa, mulher pediu pra ser igual, agora vai ter que dar conta de tudo!” Só que eu conto nos dedos os pais que realmente assumiram a outra ponta da corda. É matemática. Tirou daqui, alguém precisa colocar ali.

Só pra esclarecer, não sou contra ter babá ou deixar com avós. Eu tenho a maior sorte de poder ter as duas coisas e do Dudu ter um pai presente. Só acho que a babá é uma ajudante da mãe, e não o contrário. E acho essencialmente saudável que a mulher tenha vida fora da maternidade.

Ah, o assunto aqui é o segundo filho! Quer saber minha opinião?

Ter um filho só está sendo maravilhoso. Depois de 3 anos eu tenho liberdade, tempo livre, consigo namorar, trabalhar, viajar, festar, cuidar de mim AND ser uma boa mãe. Sem falar que o Dudu é nosso parceiro em tudo: restaurante, chá de cadeira, avião. Ele topa todas e, logicamente, dá bem menos trabalho do que se fossem dois.

Por outro lado, eu estou disposta a abrir mão dessa “mordomia” um belo dia. Só que esse belo dia ainda não chegou. Talvez chegará final desse ano. Porque a recompensa pelo sacrifício, no meu caso, ainda é infinitamente maior.

02nov

Filhos órfãos de pais vivos

Semana passada, assisti a um vídeo sugerido pela psicóloga do meu grupo de terapia, que falava sobre “filhos órfãos de pais vivos” (veja o vídeo aqui!). Apesar da conotação religiosa do vídeo, que foi feito em um congresso chamado “Mulheres diante do trono”, refleti muito sobre a fala de Helena Tannure nos primeiros dez minutos e fiquei com vontade de compartilhar a reflexão com vocês.

Segundo a palestrante, a expressão foi retirada do livro de Sergio Sinay, “Sociedade dos filhos órfãos – quando pais e mães abandonam suas responsabilidades” (que eu ainda não li, mas estou louca para ler). Apesar de ela soar um tanto exagerada, acredito que a ideia do autor era, justamente, chamar a atenção para esse abandono afetivo cada vez mais recorrente.

Boy with absent parents

Engraçado que na mesma época em que soube do vídeo pela primeira vez, uma amiga ligou querendo conversar sobre o dilema que está vivendo entre continuar trabalhando ou passar mais tempo com a sua filha. Ainda não finalizamos a conversa, mas pensando sobre esse desabafo e depois de ouvir a fala da Helena, concluí que estar com os filhos deve ser sempre prioridade e a escolha mais importante.

Já deixo claro que essa é a MINHA posição. É a posição da Juliana mãe, Juliana estudante de Psicologia, Juliana que adora observar o comportamento das crianças e dos seus pais e da Juliana que adora repensar a sua maternidade. Como só posso falar do lugar onde estou, só posso falar através das lentes da minha própria experiência. A intenção também não é criticar ninguém porque eu mesma sempre coloco a minha postura na balança. Mesmo sabendo que não terceirizo por completo a educação do meu filho, sei que poderia ser muito mais presente na vida dele.

Enfim, Helena traz na sua fala um ponto importante que percebo ser uma dúvida constante na cabeça das mulheres que se tornam mães: trabalhar ou não trabalhar fora? Acredito que essa é uma questão bem individual. Algumas gostam de verdade e precisam se desenvolver na área profissional porque isso é um valor importante para elas. Outras o fazem porque precisam do dinheiro e outras decidem por deixar um pouco a carreira de lado para se dedicarem exclusivamente à prole. Penso que todas essas escolha são muito dignas, se forem feitas pelo coração e se forem uma escolha consciente das mães.

Vejo muitas atendendo à cobrança da sociedade e indo trabalhar com o coração apertado. Sei que várias irão alegar que precisam trabalhar fora porque a família precisa daquele valor, mas digo que conheço inúmeras mães que criaram trabalhos alternativos (artesanato, venda de roupa, blog, empresa de decoração de festa infantil) para poder ganhar dinheiro e ao mesmo tempo, ficar mais tempo com os filhos.

Porque a questão não é nem o trabalhar fora em si, mas o tempo dedicado ao trabalho que é, consequentemente, retirado do tempo que se passa com os filhos. Para as que utilizam o argumento de que o que vale é a qualidade do tempo, aviso que já ouvi muita teoria psicológica contra essa velha afirmação porque a quantidade importa sim, e muito. A qualidade também, mas ela não retira a importância da quantidade de tempo.

Pensando sobre esse assunto, lembrei de um dos meus textos mais acessados e comentados até hoje foi o Não tenha filhos! aonde escrevo, justamente, sobre essa responsabilidade dos pais. Quando o escrevi, fiquei com medo das críticas, mas depois fiquei abismada com o tanto de pessoas que pensam como eu:

“(…) se você não está disposto a ser pai ou mãe, o que vai muito além de apenas ter um filho, se a sua imagem de paternidade ou maternidade se baseia naquelas crianças sorrindo brincando no parque (o que acontecerá em 0,0001% da sua semana), se você pensa em tê-los para não se sentir sozinho no futuro ou para corrigir erros que você mesmo cometeu na vida, não tenha filhos! Não transfira para uma criança toda a sua carga de frustrações ou a responsabilidade de transformar a sua vida. Sim, crianças trazem alegria e te apresentam um amor sem tamanho, mas elas exigem muita doação, muita entrega e muito tempo disponível”.

Se você, assim como eu num primeiro momento, está achando que não está incluído nesse grupo de pais ausentes, que eles são uma aberração e estão muito distantes de você, convido-lhe a se auto observar com calma, atenção e honestidade. Repare em quantas vezes você diz “já vou”, “agora não dá” ou fica passeando nas redes sociais ao invés de dar atenção ao seu filho.

Calma, a ideia não é que ninguém corte os pulsos ou se abandone por completo. Tudo é uma questão de bom senso, mas procure refletir sobre o que você quer para o futuro do seu filho, o que vem fazendo para isso e o quanto o amor é algo que não pode ser substituído por grandes festas, viagens ou presentes.

Até o próximo mês e aguardo a participação de vocês.

Escrito por Juliana Baron Pinheiro – Blog Psicologando

Juliana Baron é um milhão de mulheres em uma só e isso, às vezes, gera uma confusão absurda (por isso, tanta terapia) e, consequentemente, muito assunto para escrever. É apaixonada pelo universo feminino e pretende trabalhar com ele assim que se formar em Psicologia. É mãe do João e está grávida de mais um menino, mas jura que vive uma vida para além da maternidade. Gosta de ler, de escrever, de organizar armários, de colecionar coisas e de relembrar a infância.

 

Veja mais artigos da Ju aqui no blog:

Por uma infância de verdade

Sobre a segunda gravidez

As mãe pira