30set

Sobre a segunda gravidez

Quando engravidei pela primeira vez, vivia uma realidade completamente diferente da que vivo hoje. Namorava há apenas cinco meses, estava recém-formada, ainda morava com os meus pais, apesar de naquele momento estar morando em São Paulo e, de um modo geral, era bastante imatura. E nesse ambiente super instável, eu tive um bebê.

Foto para ilustrar o texto-1

Hoje, entendo que vivi aquele momento da melhor maneira que consegui e que dei conta. E não é que apesar de todas as variáveis dessa primeira experiência, continuei com o desejo de ser mãe? Há dois anos (meu primeiro filho tem quatro) comecei a sentir essa vontade mais forte. Só que como naquele momento fazia um tratamento de saúde, não pude engravidar. Então, comecei a me organizar e há três meses, na nossa primeira tentativa, emplacamos mais um baby.

Ainda estou no início da segunda gestação, mas posso dizer que apesar das semelhanças, parece que vivo outra gravidez. Eu sei, eu vivo, mas vocês me entenderam. Não é que tudo esteja perfeito, mas hoje percebo que tenho muito mais maturidade, consciência, consciência corporal, segurança e sabedoria com relação às minhas escolhas. Sou super orgulhosa de como dei conta do recado na minha primeira missão, mas aproveitarei essa segunda chance para seguir por outros caminhos e para fazer novas escolhas.

Mas por que eu estou aqui escrevendo tudo isso? Em resumo, é porque senti necessidade de voltar a escrever sobre os sentimentos que a maternidade traz consigo e como a Bia já tinha me convidado para escrever para o blog, decidi unir as duas coisas. Eu sempre gostei de escrever e há muitos anos tenho blog (já apareci aqui outras vezes). Depois da minha primeira gravidez, até cheguei a criar um blog aonde eu escrevia exclusivamente sobre maternidade (foi por causa dele que eu cheguei até a Bia), mas como sentia falta de falar sobre outras áreas da minha vida, decidi ficar só com o meu espaço antigo. Como eu brinco, sou uma mãe que sempre viveu para além da maternidade em si. Considero-me a melhor mãe que eu posso ser, mas passados os primeiros meses de dedicação total, aos poucos voltei para os cuidados comigo mesma e também queria escrever sobre isso. Claro, sinto culpa como toda mãe, mas confesso que nunca me senti culpada por deixar o filho para ir ao cinema, por exemplo. Muito pelo contrário. Sempre precisei dos meus momentos, justamente, para poder ser uma mãe feliz e realizada. Continuar com o meu tempo também faz parte do que eu entendo por maternidade. Os meus papéis são os mais variados, mas eu sou uma pessoa só. Portanto, o modo como eu me sinto em cada área da minha vida influencia diretamente todos os outros.

Enfim, já estou aqui divagando sobre um dos meus temas preferidos, o auto abandono prolongado que algumas mães praticam. Já antecipo que não estou aqui para julgar ninguém. Não se sintam ofendidas com as minhas colocações. Nunca será nada pessoal. Até porque cursando Psicologia, compreendo que cada um “dá conta do que dá conta”, mas gosto de trazer os assuntos para reflexão. Também gosto muito dessa troca entre mães (apesar de ter preguiça das monotemáticas) porque foi essa troca que me aliviou muito na primeira experiência. Reconhecer-me no desabafo alheio sempre serviu como um bálsamo com relação à minha auto cobrança exacerbada pela perfeição como mãe.

Como estou sempre na corrida – tenho uma casa para organizar, um filho para acolher, um marido para amar e uma gravidez para curtir, faço faculdade, pilates, drenagem, aqua bike, terapia de grupo, análise individual e as unhas quando dá, estou terminando um livro e escrevo em outros dois blogs (o meu Psicologando e o “Sobre a Vida”) – vou aparecer aqui uma vez por mês, mas prometo me dedicar aos textos e trazer boas reflexões.

 

Como mencionei ali em cima, gosto dessa troca e aguardo os comentários de vocês, sugestões de abordagens, dicas e desabafos.

Minha foto

Até o próximo texto.

Um Beijo.

Juliana Baron é um milhão de mulheres em uma só e isso, às vezes, gera uma confusão absurda (por isso, tanta terapia) e, consequentemente, muito assunto para escrever. É apaixonada pelo universo feminino e pretende trabalhar com ele assim que se formar em Psicologia. É mãe do João e está grávida de mais um menino, mas jura que vive uma vida para além da maternidade. Gosta de ler, de escrever, de organizar armários, de colecionar coisas e de relembrar a infância.

 

 

  1. Tão eu esta história rsrs me vi nela por inteiro, um namoro curto e logo uma gravidez e agora 3 anos depois o desejo do segundo filho. Mas de uma maneira mais madura , podendo curtir mais e fazendo novas escolhas. Ainda vou ter que esperar um pouco para tentar mais um baby, mas vou adorar ler sua experiência e imaginar como será a minha!! beijos

    1. Gabriela, desculpa não responder antes, mas no meu laptop sempre que eu tentava postar, dava erro. Quando engravidares a segunda vez, também vais notar as diferenças! Continue acompanhando que logo vem mais textos sobre essa segunda experiência. Beijos

  2. Oi, sou meio paranoica com essa coisa de ser mãe. Não tenho e nunca tive um bom relacionamento com meus pais, então há um impasse na minha vida em relação à maternidade, não sei se seria boa mãe.
    Tenho 32 anos e um marido que me cobra.
    Sempre considerei gravidez como um tormento, mas achei interessante o termo ” gravidez para curtir “, nunca havia cogitado a gravidez como algo a ser usufruído.
    Essa frase impactou de forma positiva aqui … Muito obrigada pela nova visão.
    Beijos.

    1. Oi Priscila!
      Sabe que eu também adorei?
      Gravidez com maturidade proporciona esse sentimento, acredito.
      Assim como a Ju, na minha primeira gravidez eu fiquei super insegura e acabei não curtindo tanto mesmo. Mas te confesso que ainda assim, foi a melhor experiência da minha vida!
      Repensa sim!
      Beijão

    2. Priscila, desculpa não responder antes, mas no meu laptop sempre que eu tentava postar, dava erro. Eu que agradeço a sua participação! Você já tentou fazer terapia? Talvez fosse um bom processo para você entender o que VOCÊ pensa sobre ter filhos. Beijos

  3. E aqui estou eu, quase que vendo descrita minha história… Gravida do segundo filho e vivendo um momento maravilhoso, agora com mais maturidade.
    Infelizmente cometi o erro do auto abandono prolongado, coisa que não pretendo nem de longe fazer de novo.

    Beijinhos

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