13out

Adulto tem direito de ser criança!

Acho a diversão uma coisa seríssima.

Tenho pavor de gente que não se permite ser tola, sabe?

Na terapia aprendi que a nossa criança grita forte, dentro da gente, todos os dias. Mas poucas vezes deixamos ela sair.

Ser criança é muito mais do que ter pouca idade.

E cada vez que ela grita alto e sobressai a minha personalidade “adulta”, é no mínimo libertador.

Ontem briguei com meu filho por causa da sobremesa, que resolvemos dividir.

dia-da-crianca

POR QUE COMER TÃO RÁPIDO EDUARDO?

Mas não, não era pra ensinar. Era apenas porque eu queria que sobrasse mais mesmo.

O ensinamento era o discurso politicamente correto, mas tava preocupada mesmo, com aquele chocolate sumindo na velocidade da luz. E com a babaceira compartilhada que estragava a estética da coisa toda. E com a desproporção absurda com que o bolinho e o sorvete eram consumidos. Um verdadeiro desrespeito.

AFINAL, POR QUE DIVIDIR UMA SOBREMESA?

Pô, logo a melhor parte. O macarrão ninguém quer dividir, é cada um com seu prato cheio, comendo na intensidade desejada… competitividade zero! E se quiser repetir, sempre tem!

Por que com a sobremesa não é assim? Quem inventou essa maldita ideia?

Pedir 3 colheres pra um petit gateu deveria ser tão grave e ofensivo quanto falar de boca cheia, ou arrotar à mesa.

Cadê etiqueta nessa hora? Bem que os franceses poderiam ter inventado essa regra, poxa vida.

Andei lendo num desses textos virais da internet (não me pergunte a fonte porque não tenho a mínima ideia), sobre os direitos da criança, e lá no finalzinho alguém (muito feliz) acrescentou que todo adulto tem direito de ser criança.

E pronto!

Ontem, dia 12/10/16, após o barraco das colheres pelo petit gateu, foi o máximo. Comuniquei à minha família e registrei devidamente no meu instagram @beatrizmendes que não irei mais dividir sobremesa. Afinal, é um direito meu. Mal educado, eu sei. Mas ainda assim um direito.

Meu padrasto dizia que a gente só deveria confiar em velhos e crianças, porque eles soltam os maiores sincerões da vida.

Prefiro acreditar então, que tô deixando a minha criança falar mais alto, do que me considerar uma idosa de 30 (embora esteja no meio do caminho entre os dois, a criança é a minha escolha, ué!).

Assumir quem a gente realmente é, sem firulas, e no fim das contas se divertir às custas disso, é exercer o melhor da criança que há em nós.

Feliz dia da criança!

(atrasado, porque bom mesmo é ser um pouco criança todo dia).

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