29jun

Eu não amamentei meu filho

Fui convidada pelo site Mulher da Abril  a compartilhar um relato sobre maternidade. Decidi falar sobre as minhas dificuldades no processo de amamentação e como me senti ao ter amamentado meu filho por pouco mais de 30 dias.

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Segue o relato publicado no site:

Eu não tenho nenhuma foto do meu filho se alimentando antes dos seis meses de vida. Hoje, quase quatro anos depois, me dou conta de que isso não é normal. Arrependo-me de não ter registrado aqueles momentos, que me fazem muita falta. Era assim: só eu e ele. A gente se olhava nos olhos e dessa maneira, nasceu a maior troca de amor que eu já pude sentir na vida.

O vínculo entre mãe e filho era reforçado – ele sentia o meu cheiro, pegava no meu cabelo, tocava na minha pele e preenchia o meu colo. Eu também aproveitava para conversar baixinho, contar para ele como estava sendo a experiência de ser sua mãe, agradecia por tudo o que estava vivendo, mas também desabafava sobre os desafios e dificuldades que enfrentávamos nesse processo de adaptação. Eu sabia que ele era o meu maior confidente e eu a dele.

Você, que está lendo esse texto do outro lado da tela, deve estar se perguntando sobre quais momentos específicos da maternidade eu me refiro. E sim, eram aqueles em que o meu bebê era amamentado. Só que com mamadeira. Eu nunca havia cogitado não amamentar – como a maioria das grávidas, isso já estava nos meus planos. Perceber que o processo não estava dando certo, que o meu filho passava fome, perdia muito peso e que ele não estava saudável – palavras do pediatra – me desmoronou. Eu tentei de tudo, mas não conseguimos.

Vejo pouca gente falando sobre esse assunto e, talvez por isso, eu deva falar sobre ele. Na época, procurei amparo, relatos que pessoas que estavam passando pelo mesmo que eu e mesmo com tantas informações, me sentia só. O que eu encontrava por aí eram muitas celebridades amamentando com um grande sorriso no rosto, campanhas de amamentação que reforçavam sobre o laço que é criado entre mãe e bebê.

Em muitos momentos, eu me sentia perdida. Então, quem não consegue amamentar não vai ter o mesmo vínculo com o filho? Dizer que a amamentação é a melhor alternativa e deve ser a única opção para o bebê nos primeiros meses é incontestável. Tenho certeza disso. Está provado. É ciência. E se eu pudesse, teria feito. Agora, supor que a amamentação no peito cria uma conexão maior entre mãe e bebê e que uma mãe é considerada melhor porque consegue ter essa experiência com o filho não é legal. Vocês sabem o que isso causa em uma mulher que não conseguiu vivenciar isso? Pois é…

Hoje, eu tenho certeza de que quem cria esse laço duradouro somos nós – independente do tipo de parto ou da amamentação. Mas tenho certeza de que a maioria das mães de primeira viagem, fragilizadas e inseguras, vão se sentir “menos” mães, se questionar e ficar com a autoestima baixa se não conseguir amamentar. Foi assim comigo. Eu tinha tanta vergonha e culpa, que chegava a dizer para algumas pessoas que o que tinha dentro da mamadeira era leite materno – só para não ouvir perguntas e julgamentos, que eu não tinha estrutura e nem paciência para responder naquele momento.

Hoje, mais amadurecida, vejo que supervalorizei o problema. Meu filho está lindo, saudável, bem criado. Sou a melhor mãe que posso. Acredito que eu poderia ter sido ainda melhor, se eu não tivesse perdido tanto tempo ficando preocupada e me desgastando com palpites desnecessários naquela época. Boa mãe é aquela que ama o seu filho e que dá o seu melhor para vê-lo feliz e saudável. Ponto final.

 

Pra finalizar, quero dizer que eu apoio a amamentação, e se pudesse, teria feito com maior amor do mundo. Mas nem toda história acontece do jeito que a gente prevê! 🙂 E obrigada a todas que me apoiaram nessa caminhada!

  1. Oi Bia,
    Que bom você compartilhar sua experiência, pois me identifiquei muito quando li. Também não consegui vivenciar a fase da amamentação como planejei (inclusive, antes de ser mãe). Como meu parto foi prematuro, vivi momentos de mistura de sentimentos (preocupação, expectativa, etc.) e, com isso, a minha produção de leite foi diminuindo. Tentei, mas com o passar do tempo, fomos para a mamadeira e, concordo com você, pois mesmo com o uso da mesma, quem cria esses momentos e fortalece o vínculo, somos nós mesmas. Sempre proporcionava à minha filha um ambiente tranquilo, com troca de olhares, muito carinho e muito amor e isso foi essencial pra nossa relação e para aqueles momentos.
    Estarei te acompanhando. Na oportunidade, tenho convido a conhecer meu blog também.
    Muito bom seu texto e parabéns pelo lindo filho!
    Beijos,
    Larissa Andrade.

    1. Oi Larissa, obrigada por compartilhar aqui teu depoimento, fico feliz ao saber que pessoas se identificam com essa fase tão difícil, torna as coisas mais leve, pra ambos os lados!
      Oba! Vou te acompanhar também.

      Beijão

  2. Li seu texto aos prantos, também vivi essa experiencia, filho que não ganha peso com o meu leite, sofri, levava toda semana a pediatra até o dia em que o vi sugando as mãos. Me entreguei…comprei leite e dei, e como você, fiquei grudada, olhei nos olhos e falei a cada mamada o quanto eu queria que aquele leite fosse o meu. Hoje meu menino tem 6 anos, somos grudados, só me separo dele para trabalhar, o que prova que o que une mãe e filho é o amor, não o leite.

    1. Oi Denise, concordo com você!
      Claro que amamentar é a melhor opção sempre, mas nos punirmos quando não conseguimos e carregar a culpa é horrível!
      Obrigada pelo carinho! 🙂

  3. Eu juro que pensei que estava lendo algo que eu escrevi!!! como a experiencia e sentimento sao iguais nesse momento…. na verdade nao só minha, mas de todas as maes que são automaticamente taxadas de “ïncapazes” pelas redes sociais por nao conseguirem amamentar. Quase entro em depressao pos parto e nao foi a toa. Nao aguentava mais ouvir das pessoas que eu tinha que tentar ( como se eu ja nao tivesse tentando!! ora bolas!! só eu sei). Meu filho ficou desnutrido e com mais de 10% do peso perdido em menos de 5 dias… Isso que é normal? era pra eu ter tentado ate quando? quando ele ja nao tivesse mais forças pra puxar o leite e desmaiasse? as vezes acho que as pessoas sao loucas e alienadas!! só pode!! e digo o mesmo: meu filho está lindo, saudável, com peso e altura de 4 meses e ainda vai fazer 3. Só tenho orgulho e amor no meu peito e nao cabe mais nada alem disso. Parabens por falar a nossa lingua de forma tao simples e real.

  4. Me vi nesse seu post, amamentei o meu filho só até 45 dias depois não consegui mais, hoje ele tem 4 meses e não me sinto menos mãe e tenho a certeza que temos um elo igual qualquer mãe que amamente…
    Parabéns pela suas palavras e pela sinceridade!!!
    Beijos

  5. Ótimo texto, estou passando pela mesma experiência, e por mais q ouça palavras de conforto, ainda tenho a sensação de ser criticada pela sociedade. A cada dia me convenço q sou mãe tão dedicada e amorosa qto as que amamentam e q o vínculo com o meu filho cresce a cada dia. Além disso, esse vínculo tb tem sido muito especial com o pai tb, que pode dar mamadeira e pode participar desse momento tão especial. Obrigada pelo texto, fez a diferença no meu dia

  6. Melhor relato que já li sobre esse tema! Passei exatamente por isso ! E confesso que ainda é um assunto que me entristece! Parabéns pela coragem e sinceridade!

  7. Bia querida!

    Amei sua colocação!
    Me vi em muitos trechos que relatou!

    Mesmo atrasada, não resisti e quis comentar a respeito.

    Vou inserir um texto baseado no que fiz há algum tempo, num site onde rolou esta delicada questão.

    Lá vai:

    Amamentação ou Fórmulas…Parto Normal ou Cesária.

    Realmente Assuntos que geram polêmicas.

    Enfim…fiquemos tranquilas.

    Vou explicar:

    Como costumo dizer:_ Há diferença em”SE TER FILHO” e “SER MÃE”.

    Ser Mãe é Amar e demonstrar os cuidados e carinho pro mais interessado: O Bebê.

    A gravidez, as particularidades do bebê…Isso sim lhe trará “a melhor maneira de cuidar dele”.

    Detalhe: Não consegui amamentá-lo por mais de 1 semana.
    Sem bico, dores absurdas, leite logo secou…Sofri e Chorei na época.
    Fora os comentários de que meu bebê se tornaria frágil…Foi barra.

    Ouvi muitas lamentações de pessoas inconvenientes…

    Mas tudo deu certo!

    Mesmo com fórmula recomendada pelo Pediatra da Maternidade que muitos condenavam e me desanimavam com seus palpites.

    Jamais desmerecendo o Leite materno, longe disso!
    Parabenizo a todas que curtiram por mais tempo ou muito Tempo a Amamentação.

    Mas mesmo com a Mamadeira, fazíamos o “nosso Momento”, com carinho um no outro…olhares e cumplicidade. 
    Não o amamentei, mas com todo o meu Amor o Alimentei.

    Nem sempre acontece como imaginamos…mas superamos e muitas vezes nos surpreendemos com o que “o Não esperado pode nos trazer”.

    *Muitas pessoas dizem categoricamente que o “Momento da Amamentação” é o que faz ter vínculo de Amor com o filho.

    *E quanto mais tempo de Amamentação, maior será o Amor, maior a proteção.

    *Que sem ele o bebê não será saudável, ou adoecerá sempre…que será lento intelectualmente…

    *Principalmente “as Tias chatas” e parentaiada gostam de falar isso…Repito: povo inconveniente. 

    Mas Graças a Deus não é bem assim!

    A gente se adapta com as surpresas que fogem de nossas mãos…e para o nosso conforto tudo se encaixa!

    Afinal, é um exemplo que vivencio…o meu Henrique nunca teve sequer 1 gripe, nunca tomou remédio, graças à Deus nunca fomos pra hospital (somente consultas de rotina com a Pediatra).

    Até hoje não tem reações com nascimento dos dentes, com 7 meses disse pela primeira vez Mamãe e Papai, já ficava de pé, inclusive descia do sofá, com 9 meses andava pela casa se segurando nos móveis, reação com vacina somente teve por algumas horinhas na de 2 e na de 4 meses.
    Muito Inteligente!
    Todos ao conhecê-lo, comentam!
    Sempre nos surpreendeu!  
    Uma verdadeira Benção em nossas vidas!

    Finalizando e Praticamente repetindo:

    “_Não pude amamentar, mas com todo o meu Amor o Alimentei e fizemos nosso vínculo!”

    ############
    Bia, perdão pelo longo texto.

    Bjs,
    Lú Martins

    1. Lu querida, tu és a colaboradora mais legal desse blog!
      AMO quando tu contribui com teus lindos textos e depoimentos (inclusive sinto tua falta quando tu não aparece por aqui! hehe)
      OBRIGADA de todo o meu coração.

      Beijão em ti e no Henrique.

  8. Emocionei Bia!

    Vc que é uma Querida Master!

    Realmente uma “mágica” aconteceu comigo desde que o Henrique passou do Primeiro Aninho…kkkk…Escrevo menos, passeio menos, durmo menos!!! kkk.
    Meninaaa..os 2 aninhos estão me deixando ainda mais doidinha! kkk

    Mas sempre venho nesse seu Cantinho e do Dudu tão aconchegante e agradável!! AMOOOO!

    Desde 2012…e pra todo O SEMPRE!

    Bjs

  9. Obrigada por esse relato! Eu só consegui amamentar minha filha até os dois meses, meu leite começou a diminuir, ela chorava de fome, foi perdendo peso…até que nos rendemos à formula. Hoje ela tem 4 meses e está super saudável, crescendo nos padrões normais. Mas eu ainda me pergunto todos os dias o porquê não consegui e se estou sendo uma boa mãe. Amo minha pequena mais que tudo, procuro fazer o melhor, mas ainda me sinto uma mãe incompleta. Obrigada por me ajudar a ver que ser mãe não é só amamentar o filho, é muito mais que isso.

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