26fev

Zika Vírus: 7 coisas que você precisa saber

É praticamente impossível falar de gravidez sem falar de Zika. O vírus foi declarado pela OMS como uma emergência global.

Ainda que não existam estudos conclusivos sobre as consequência do Zika Vírus, compartilho com vocês as perguntas mais frequentes sobre o vírus transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, respondidas por um especialista.

gestante-zika

Como detectar o vírus?

Existem dois tipos de teste. Um deles é o PCR, que pesquisa fragmentos do vírus na circulação, na urina ou no líquido amniótico. No sangue, fica até cinco dias e na urina, até 15. A precisão é muito alta, mas, se o vírus não estiver circulante, não aponta nada. Ou seja, se a infecção tiver acabado esse teste não dará o diagnóstico. As sorologias também conseguem identificar os anticorpos contra o vírus das classes IgM e IgG, que poderiam ser usados com intervalos bem maiores após a infecção. Porém, o teste tem muita reação cruzada com outros vírus, como Dengue e Febre Amarela, o que diminui sua precisão.

 

O vírus na mãe infecta o bebê?

A infecção de mãe para filho é uma questão que ainda está sendo esclarecida pelos pesquisadores. O que se sabe até agora é que aparentemente o vírus atravessa a placenta e chega à circulação do bebê. Dependendo do período de formação e desenvolvimento do sistema nervoso causará diferentes lesões. A mais preocupante delas é a microcefalia, que parece estar relacionada à infecção pelo vírus da Zika no primeiro trimestre.

 

Toda grávida infectadas terá um bebê com microcefalia?

Vários médicos do nosso grupo são também pesquisadores de outras universidades e da Fiocruz, todos eles estão empenhados em responder estas perguntas através da pesquisa científica, mas nada de conclusivo até o momento. Vale ressaltar que nem todas as gestantes que foram infectadas pelo Zika terão problemas com os seus bebês, parece que o comprometimento fetal tem relação com a idade gestacional que infecção ocorreu. 
E se o bebê nascer com microcefalia?

Neste momento os bebês estão sendo acompanhados de forma bastante atenta pelos nossos especialistas. Os que apresentam complicações graves como a microcefalia dependerão de maior atenção da equipe médica. Os que aparentemente não apresentam sintomas ao nascimento estão sendo acompanhados (previsão de até os três anos de idade) para identificar possíveis problemas que possam aparecer mais tarde.
Quero engravidar, e agora?

No Brasil 50% das gestações não são planejadas, portanto pouca coisa é feita antes da gravidez na maioria dos casos. As recomendações são:

1) Proteção pessoal: uso de repelente, roupas que cubram o corpo e evitar a exposição em regiões de maior registro de casos da doença;

2) Proteção da população: combate ao mosquito transmissor;

3) Evitar a disseminação a partir dos infectados: uso de repelentes e outras formas de proteção aos que estão doentes, para impedir que o mosquito se contamine e dissemine a infecção para outras pessoas.
Já estou grávida, o que fazer?

Use mangas compridas e calças, e sapatos fechados; usar repelente a cada duas horas; prefera locais com ar-condicionado, pois o ar frio dificulta a proliferação do mosquito Aedes Aegypt; verifique diariamente os vasos e suportes em casa para ver se tem água parada; coloque telas nas janelas e use pulseiras feitas à base de citronela.

Como está a situação no Brasil?

O Ministério da Saúde do Brasil tem relatado mais de 3.800 casos de microcefalia. A microcefalia aumentou em pelo menos quatro vezes desde que a infecção pelo Zika vírus apareceu. No site do Ministério da Saúde do Brasil estes dados são atualizados mensalmente, mas os números são muito preocupantes.

Fonte: Dr. Renato Sá – Chefe do setor de obstetrícia e medicina fetal do Grupo Perinatal e diretor do Centro de Diagnósticos da Maternidade Perinatal.

07jan

O que eu aprendi com a Diabetes Gestacional

Nunca pensei que usaria o meu primeiro texto do ano para falar sobre a minha Diabetes Gestacional. Aliás, nunca pensei que teria Diabetes Gestacional. Mas como esse é um espaço que utilizo para transbordar um pouco meu amor pela maternidade e tudo aquilo que a circunda e como precisei refletir sobre vários pontos depois que descobri a DG, nada mais justo do que discorrer sobre esse tema que vem roubando a cena nos últimos dias.

No meio do mês de dezembro passado, depois de alguns exames, descobri que estou com a tal Diabetes Gestacional. Resumidamente, o meu pâncreas não deu conta de produzir insulina, que é o hormônio responsável pela redução da glicemia, pra todo mundo (eu, bebê e placenta), portanto, precisei parar de consumir todo e qualquer alimento que possa dar um pico de glicemia no meu corpo. A primeira pergunta que as pessoas me fazem é se ela acarreta riscos. Sim, se não controlada pode deixar o bebê com sobrepeso e tendência a apresentar diabetes, a mãe diabética após o parto, mas se for feita uma dieta balanceada associada a exercícios, nem a insulina é necessária e tudo corre mais do que normal.

Desde o dia da descoberta, passei a pesquisar muito sobre o assunto. Primeiro, descobri que ela é mais comum do que parece e não, nem sempre ela tem uma razão específica como casos de diabete na família ou excesso de peso da gestante. Então, se você também descobriu a DG, não se sinta culpada, ela pode ser apenas uma incapacidade do seu pâncreas e não um castigo divino por aquelas sobremesa que você comeu na semana passada.

Ta, mas tudo são flores? Na na ni na não. Pelo menos para mim não foi. Quando confirmamos o diagnóstico, chorei feito criança na frente da obstetra que estava substituindo o meu médico em férias. Senti um peso imenso, uma responsabilidade absurda diante daquela nova condição. Desde sempre meu peso e a comida são uma questão para mim. Voltei para a análise esse ano justamente para aprofundar o que está por trás desse meu efeito sanfona e a da minha dificuldade em controlar a boca. Verão passado eu estava super bem, me preparando para engravidar com um peso bacana, mas quando engravidei eu julho, já estava quase dez quilos acima do meu peso ideal. Nos últimos meses eu vinha tentando me controlar, mas não estava conseguindo e de repente, a vida me obrigou a olhar melhor para essa área.

Senti-me ridícula, confesso, mas chorei bastante no consultório. Porém, como nada é por acaso, era para a Dra. Mônica estar ali naquele dia, porque fiz quase uma hora de consulta/terapia e fui totalmente acolhida por ela. Muito mais do que me explicar sobre a DG, ela falou sobre aceitar, sobre receber essa condição. Me disse que eu deveria agradecer porque meu problema tinha solução e eu tinha todas as armas para vencê-lo. Que muitas vezes a vida nos cobra, nos cobra e até esquecemos de curtir e cuidar da gravidez e que agora, a cada picada, eu lembraria do motivo genuíno de tudo aquilo ali.

Desde então, estou em dieta restritiva total. No dia seguinte à confirmação, marquei uma consulta relâmpago com a minha nutricionista e como aprendi, não cortei nada, apenas substituí. Ok, cortei MUITA coisa, já que minha alimentação não era das melhores. Não posso ingerir açúcares e afins (como xarope, glicose ou glucose de milho, sacarose, dextrose, maltodextrina, frutose), carboidratos refinados (pão, arroz e massas) e derivados do leite (essa parte foi a mais difícil). Virei a louca dos rótulos e quase não saio de casa porque nunca sei como as comidas são preparadas. Basicamente, posso comer frutas (nem todas e nem em grandes quantidades), legumes, alimentos 100% integrais e proteínas. Também desde o dia primeiro de janeiro, comecei a medir a minha glicose três vezes por semana, quatro vezes por dia. Ainda não sei o resultado das minhas medições porque ainda não traçamos o meu perfil, mas pesquisando na internet, vi que, a princípio, os números estão ótimos já que variam de 80 a 100.

Ok, mas o que, diabos, eu aprendi com a Diabetes Gestacional? Primeiro, aprendi a escolher e selecionar o que coloco para dentro do meu corpo. Lendo os rótulos, vi o quanto de substâncias ingerimos sem nem imaginar o mal que fazem. Esses produtos “0 açúcar”, por exemplo, em geral são CHEIOS de químicas disfarçadas que são tão prejudiciais quanto o próprio açúcar! Também entendi que na vida aprendemos pela dor ou pelo amor…hahaha…às vezes é preciso uma chacoalhada dessa para que paremos tudo o que estamos fazendo para refletirmos sobre nossas atitudes. E isso vale para todas as outras áreas da minha vida. Ah, de quebra, em quinze dias, perdi dois quilos, mesmo sem querer já que na gravidez não podemos perder peso e sem passar fome, e não inchei nadinha até agora.

Enfim, comecei o ano como sempre desejei, me alimentando de forma saudável, mesmo que meio obrigada.

Aproveito para desejar a todas vocês um excelente 2015. Que você aprenda mais pelo amor, mas que se a vida lhe impuser condições um tanto arbitrárias e chatinhas, como aconteceu comigo, você as acolha, agradeça e faça diferente.

E se você também descobriu que tem Diabetes Gestacional, acalme-se e procure o seu médico. Nada está perdido. Ah, se alguém também passou por isso e deseja compartilhar a sua experiência, ficarei super feliz e grata pelas dicas ou sugestões. Nessas horas, vale demais escutarmos histórias (de sucesso, por favor) alheias.

Até mês que vem.

Beijos, Juliana Baron

juliana-baron-pinheiro

Juliana Baron é um milhão de mulheres em uma só e isso, às vezes, gera uma confusão absurda (por isso, tanta terapia) e, consequentemente, muito assunto para escrever. É apaixonada pelo universo feminino e pretende trabalhar com ele assim que se formar em Psicologia. É mãe do João e está grávida de mais um menino, mas jura que vive uma vida para além da maternidade. É coach, gosta de ler, de escrever, de organizar armários, de colecionar coisas e de relembrar a infância.

Você também me encontra em Blogpsicologando.com 🙂

 

13nov

Diabetes Gestacional: 7 questões que toda grávida deve saber

Amanhã é o Dia Mundial do diabetes, doença muitas vezes silenciosa e que requer uma série de cuidados especiais. Recebi esse material bem esclarecedor sobre o diabetes gestacional – doença que atinge cerca de 7% das grávidas – e achei importantíssimo compartilhar com vocês, pois fala de sintomas, tratamento e prevenção. É uma doença muitas vezes adquirida por maus hábitos alimentares e de saúde.

DIABETESGESTACIONAL

1 – Hormônios à flor da pele
O diabetes gestacional, normalmente, está relacionado com alterações hormonais. Durante a gravidez, o organismo da mulher sofre diversas mudanças. A principal delas é o aumento na produção de hormônios que podem dificultar ou bloquear a ação da insulina no corpo – substância responsável pelo controle de açúcar no sangue. Na maioria das grávidas, o próprio organismo compensa esse desequilíbrio ao fabricar mais insulina, mas nem todas as mulheres reagem da mesma forma, é quando ocorre a elevação glicêmica, característica do diabetes gestacional.

2 – O excesso de peso é um risco
O diabetes gestacional pode se desenvolver em grávidas que estão acima do peso ou que ganham quilos muito rápido. Alimentação balanceada e dieta nutritiva são as melhores formas de evitar a doença. Entretanto, não são só as obesas que têm risco de contrair o diabetes. Mulheres com a síndrome do ovário policístico e aquelas com histórico de diabetes na família também fazem parte do grupo de risco.

3 – Doença silenciosa
O perigo do diabetes está no fato de a doença não apresentar sintomas, exceto em suas formas mais graves. Alguns sinais são confundidos com outros fatores da gravidez, como inchaço, vômitos sequenciais, visão turva, fadiga, sede e urina em excesso, infecções na bexiga ou na vagina. Por isso há a importância do diagnóstico precoce. A investigação do diabetes deve acontecer tão logo a gravidez complete a 24ª semana, para preservar a saúde da mãe e do bebê.

4 – A curva glicêmica
O exame indicado para o diagnóstico de diabetes gestacional é a curva glicêmica. Nesse teste oral a grávida deve ingerir 100 gramas do mesmo líquido e, novamente, de hora em hora, ser feita a coleta de sangue. Assim, uma hora depois de a substância ser ingerida, o nível de glicose não deve ultrapassar 180 mg/dl. Duas horas depois, esse valor não deve ultrapassar 155 mg/dl. Por fim, após três horas, deve ser menor do que 140 mg/dl. Para fazer os exames é necessário jejum noturno de oito a doze horas.

5 – Tratamento à base de dieta
Na maioria dos casos, o tratamento do diabetes gestacional envolve questões psicológicas, como o exercício da determinação e da disciplina. O controle das taxas de açúcar deve ser feito com uma dieta balanceada associada a prática de atividades físicas. Apenas as mulheres que já possuíam a doença antes de engravidar seguem um tratamento diferencial à base de medicamentos ou doses de insulina, porém, o cuidado com a nutrição e a prática de exercícios físicos também servem para elas.

6 – Perigo para mães e bebês
O excesso de açúcar representa um risco para os bebês, pois o pâncreas – órgão responsável pela produção de insulina – fica sobrecarregado. Além disso, essa substância é responsável pelo crescimento de alguns órgãos e tecidos, dessa forma, o diabetes gestacional pode interferir nesse processo, trazendo consequências como aumento de órgãos, icterícia, problemas respiratórios e até cardíacos. Para a mãe, o malefício do diabetes pode estar relacionado com a elevação da pressão arterial.

7 – Prevenção para ficar longe do diabetes
A prevenção é a melhor forma de estar distante das preocupações com o diabetes. Realizar um bom pré-natal com um especialista de confiança, manter a alimentação saudável resistindo às tentações e a alguns desejos, procurar uma atividade física de baixo impacto que de adapte-se a suas condições e manter os exames clínicos em dia são algumas dicas para você ter uma gravidez tranquila e com saúde. Se mesmo assim você desenvolver diabetes gestacional, saiba que ela passa após o parto e seus níveis de glicose voltarão ao normal.

Dr. Jorge Rezende Filho, obstetra da Casa de Saúde Santa Lúcia.

Não custa nada se cuidar!

Beijinhos!