Acho a diversão uma coisa seríssima.

Tenho pavor de gente que não se permite ser tola, sabe?

Na terapia aprendi que a nossa criança grita forte, dentro da gente, todos os dias. Mas poucas vezes deixamos ela sair.

Ser criança é muito mais do que ter pouca idade.

E cada vez que ela grita alto e sobressai a minha personalidade “adulta”, é no mínimo libertador.

Ontem briguei com meu filho por causa da sobremesa, que resolvemos dividir.

POR QUE COMER TÃO RÁPIDO EDUARDO?

Mas não, não era pra ensinar. Era apenas porque eu queria que sobrasse mais mesmo.

O ensinamento era o discurso politicamente correto, mas tava preocupada mesmo, com aquele chocolate sumindo na velocidade da luz. E com a babaceira compartilhada que estragava a estética da coisa toda. E com a desproporção absurda com que o bolinho e o sorvete eram consumidos. Um verdadeiro desrespeito.

AFINAL, POR QUE DIVIDIR UMA SOBREMESA?

Pô, logo a melhor parte. O macarrão ninguém quer dividir, é cada um com seu prato cheio, comendo na intensidade desejada… competitividade zero! E se quiser repetir, sempre tem!

Por que com a sobremesa não é assim? Quem inventou essa maldita ideia?

Pedir 3 colheres pra um petit gateu deveria ser tão grave e ofensivo quanto falar de boca cheia, ou arrotar à mesa.

Cadê etiqueta nessa hora? Bem que os franceses poderiam ter inventado essa regra, poxa vida.

Andei lendo num desses textos virais da internet (não me pergunte a fonte porque não tenho a mínima ideia), sobre os direitos da criança, e lá no finalzinho alguém (muito feliz) acrescentou que todo adulto tem direito de ser criança.

E pronto!

Ontem, dia 12/10/16, após o barraco das colheres pelo petit gateu, foi o máximo. Comuniquei à minha família e registrei devidamente no meu instagram @beatrizmendes que não irei mais dividir sobremesa. Afinal, é um direito meu. Mal educado, eu sei. Mas ainda assim um direito.

Meu padrasto dizia que a gente só deveria confiar em velhos e crianças, porque eles soltam os maiores sincerões da vida.

Prefiro acreditar então, que tô deixando a minha criança falar mais alto, do que me considerar uma idosa de 30 (embora esteja no meio do caminho entre os dois, a criança é a minha escolha, ué!).

Assumir quem a gente realmente é, sem firulas, e no fim das contas se divertir às custas disso, é exercer o melhor da criança que há em nós.

Feliz dia da criança!

(atrasado, porque bom mesmo é ser um pouco criança todo dia).

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