Ah, como é difícil ser mulher! (leia com suspiros ao fundo)

Eu sei que não disse qualquer novidade. Muito menos tenho a intenção de entrar no assunto desigualdade entre sexos por aqui. Tenho preguiça de discutir certas coisas.

Apenas vou falar de mim. Do que vivo e do que sinto, usando um dos filmes mais bonitos que já vi como âncora desse texto.

Provavelmente você já viu ou ouviu falar em Boyhood – Da Infância à Juventude, que estreou final do ano passado por aqui. O filme, gravado em 12 anos com o mesmo elenco principal, acompanha a vida de um menino comum, dos 5 aos 18 anos de idade.

Eu só consegui assistir na última semana, dentro do avião, com meu marido e nosso filho de quase 4 anos, ansioso para chegar na Disney.

Boyhood-imagem

O tímido menino Mason é o personagem principal do filme. Lembrou fisicamente o meu filho, um ano mais novo que ele no início da trama, que naquele momento usava um par de fones de ouvido e assistia a um filme infantil do seu interesse, com os dedos entrelaçados aos meus e calmamente acomodado em seu assento. Pouco menos de um ano atrás, não assistiria nada por mais de 20 minutos, muito menos usaria fones de ouvido, sequer estaria quieto em uma poltrona de avião.

Não poderia existir melhor momento pra acompanhar as transformações reais, amadurecimento e as nuances da personalidade de Mason ao longo de 12 anos. Era quase que como uma amostra grátis pra mim.

Não foi só a história de Mason que me emocionou. Sua mãe Olivia, perfeitamente interpretada por Patricia Arquette (protagonista na minha percepção), trouxe vida às minhas maiores preocupações e também aos meus medos, relacionados à maternidade ou não.

As escolhas de Olivia para proporcionar uma vida melhor aos seus filhos, as coisas que ela precisou abrir mão, o desafio de educar, no caso dela sozinha e divorciada, a perda da dependência natural dos filhos que crescem, a síndrome do ninho vazio, o envelhecimento, as mudanças do corpo e como o tempo pode ser mais cruel com as mulheres, a solidão.

Quando não me via em Olivia, via minha mãe, ou via outras mulheres que passam por tantas dificuldades e, ainda assim, têm garra e disposição criar e apreciar as coisas boas da vida.

A beleza de momentos únicos e passageiros, mostrados na simplicidade do cotidiano, tornou tudo tão real que nem parece um filme. Parece uma vida.

A quem não viu, não sabe o que tá perdendo.

Beijoca.

Post publicado originalmente na minha coluna na Revista Donna. 

Pin It on Pinterest

Compartilhe!