Florianópolis, 27 de agosto de 2014.

Querido Dudu do futuro,

Pensei que seria fácil te escrever uma carta. Em nenhum texto que fiz, até hoje, encontrei tanta dificuldade.

Depois de horas escrevendo e apagando, resolvi me guiar por perguntas cujas respostas que eu queria que tu soubesse.

Como te definir? O que te dizer? O que tu representas pra gente?

Quando tu vais ler? E será que vai ler?

Espero que sim. E sei que esse dia vai demorar um pouquinho – talvez um poucão – pra chegar, por isso resolvi publicar na internet (confio mais nela do que na minha papelada caótica).

E que o santo Google segure essa carta firme e forte até o futuro.

Tá, provavelmente ele foi comprado por uma empresa de jovens prodígios, talvez da tua idade, e tu deves tá rindo de mim porque Google é coisa de velho e não existe mais.

Mãe sofre bullying mesmo. E isso não muda com o tempo, melhor ir me acostumando. Pega leve comigo, guri! Sou tua mãe!

Para você ter uma noção tem uma tag no blog só das suas pérolas. Ainda fiz uma outra tag Diário do Dudu.

Tudo para não esquecer das pequenas alegrias que você nos proporciona todos os dias.

carta-ao-dudu

A tua mãe do presente tá sentada na frente do computador enquanto tu brincas com a Marli na sala, nossa querida funcionária que cuida muito bem de ti quando precisa.

Sou interrompida mais ou menos a cada 20 minutos por ti, que dá um jeito de escapar e entra sem bater na porta, pede pra sentar comigo, pra eu te mostrar algum vídeo no computador ou me chama pra brincar.

E quer saber? Quase sempre tu ganhas essa disputa. Impossível resistir à tua carinha.

Sabe de uma coisa engraçada? Acabo de gravar um vídeo onde fiz tu pronunciar a palavra “criança”.

Porque não sei como, talvez por um descuido, nessa mesma tarde, eu ouvi tu falando “quiança”.

Mas como assim? Quando eu deixei escapar minha “quiLança”?.  Daqui a pouco vira “quiRança” e, num piscar de olhos, “criança”.

O tempo voa. Um dia, de criança tu só vais ter as lembranças. E histórias, fotos e vídeos.

Por sorte, consegui te gravar falando “quiLança” novamente. Talvez tenha sido a última vez que te ouvi pronunciar dessa forma.

Tua personalidade é algo incrível. Esbanja alegria e simpatia por onde passa, conversa com todo mundo e tem um sorriso maravilhoso, sem falar na gargalhada que contagia o ambiente.

E não digo só porque sou tua mãe, porque sempre serei suspeita. Digo porque é unânime, todos falam isso de ti.

Tens o poder de cativar as pessoas. Cuidado com isso, exige certa responsabilidade!

Teus poucos 3 anos revolucionaram a vida de todos que te cercam. Tua chegada foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Na minha vida, do teu pai, teus avós Ademar, Mão e Didi – esse último que nos deixou há poucos dias, mas tinha um amor absurdo por ti e será lembrado sempre.

As avós Cléa e Marcia, que te estragam (no bom sentido), mas também sabem te encher de amor.

Teus tios, dindos, assim como uma boa surpresa que ganhamos, a tia Mari, que te ama como da família. Todo mundo tem outra energia desde que tu chegou.

Filho, tem tanta coisa que eu quero te dizer que temo que o espaço de uma bíblia não seja suficiente (imagina que saco isso, tua mãe tagarelando sem fim!).

Vou dar uma resumida pra facilitar tua vida, assim tu não fica de saco cheio (sou legal, viu?).

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Quero que saibas que eu sempre estarei ao teu lado, ainda que algumas vezes possa parecer o contrário.

A maioria dos teus problemas, não vou resolver, por mais que eu saiba como.

Faz parte do meu papel de mãe te ensinar a enfrentar sozinho.

Mas sempre, invariavelmente, estarei aqui pra te ajudar a resolver, seja com ensinamentos, palavras, um ombro amigo, ou simplesmente te ouvindo.

Ah filho, a parte chata (que vais perceber um dia), é que nem tudo tem solução. Nesse caso, conversar ajuda muito.

Teu vô Didi sempre dizia: “Se o problema tem solução, por que preocupar-se? Se o problema não tem solução, por que preocupar-se? “.

Ah, e não se engane. Aprendi muito com os teus 3 poucos anos! Tenho certeza de que, ao longo da nossa trajetória de vida, vais me ensinar muito mais.

Obrigada pela oportunidade de ser tua mãe!

Com muito amor,

Tua mãe do passado.

PS: a ideia era escrever no dia do teu aniversário, mas inventei de organizar 3 festinhas pra ti. Uma na escola, uma em casa e outra maior numa casa de festas. Acho que a desculpa é válida, né?

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