Nunca pensei que usaria o meu primeiro texto do ano para falar sobre a minha Diabetes Gestacional. Aliás, nunca pensei que teria Diabetes Gestacional. Mas como esse é um espaço que utilizo para transbordar um pouco meu amor pela maternidade e tudo aquilo que a circunda e como precisei refletir sobre vários pontos depois que descobri a DG, nada mais justo do que discorrer sobre esse tema que vem roubando a cena nos últimos dias.

No meio do mês de dezembro passado, depois de alguns exames, descobri que estou com a tal Diabetes Gestacional. Resumidamente, o meu pâncreas não deu conta de produzir insulina, que é o hormônio responsável pela redução da glicemia, pra todo mundo (eu, bebê e placenta), portanto, precisei parar de consumir todo e qualquer alimento que possa dar um pico de glicemia no meu corpo. A primeira pergunta que as pessoas me fazem é se ela acarreta riscos. Sim, se não controlada pode deixar o bebê com sobrepeso e tendência a apresentar diabetes, a mãe diabética após o parto, mas se for feita uma dieta balanceada associada a exercícios, nem a insulina é necessária e tudo corre mais do que normal.

Desde o dia da descoberta, passei a pesquisar muito sobre o assunto. Primeiro, descobri que ela é mais comum do que parece e não, nem sempre ela tem uma razão específica como casos de diabete na família ou excesso de peso da gestante. Então, se você também descobriu a DG, não se sinta culpada, ela pode ser apenas uma incapacidade do seu pâncreas e não um castigo divino por aquelas sobremesa que você comeu na semana passada.

Ta, mas tudo são flores? Na na ni na não. Pelo menos para mim não foi. Quando confirmamos o diagnóstico, chorei feito criança na frente da obstetra que estava substituindo o meu médico em férias. Senti um peso imenso, uma responsabilidade absurda diante daquela nova condição. Desde sempre meu peso e a comida são uma questão para mim. Voltei para a análise esse ano justamente para aprofundar o que está por trás desse meu efeito sanfona e a da minha dificuldade em controlar a boca. Verão passado eu estava super bem, me preparando para engravidar com um peso bacana, mas quando engravidei eu julho, já estava quase dez quilos acima do meu peso ideal. Nos últimos meses eu vinha tentando me controlar, mas não estava conseguindo e de repente, a vida me obrigou a olhar melhor para essa área.

Senti-me ridícula, confesso, mas chorei bastante no consultório. Porém, como nada é por acaso, era para a Dra. Mônica estar ali naquele dia, porque fiz quase uma hora de consulta/terapia e fui totalmente acolhida por ela. Muito mais do que me explicar sobre a DG, ela falou sobre aceitar, sobre receber essa condição. Me disse que eu deveria agradecer porque meu problema tinha solução e eu tinha todas as armas para vencê-lo. Que muitas vezes a vida nos cobra, nos cobra e até esquecemos de curtir e cuidar da gravidez e que agora, a cada picada, eu lembraria do motivo genuíno de tudo aquilo ali.

Desde então, estou em dieta restritiva total. No dia seguinte à confirmação, marquei uma consulta relâmpago com a minha nutricionista e como aprendi, não cortei nada, apenas substituí. Ok, cortei MUITA coisa, já que minha alimentação não era das melhores. Não posso ingerir açúcares e afins (como xarope, glicose ou glucose de milho, sacarose, dextrose, maltodextrina, frutose), carboidratos refinados (pão, arroz e massas) e derivados do leite (essa parte foi a mais difícil). Virei a louca dos rótulos e quase não saio de casa porque nunca sei como as comidas são preparadas. Basicamente, posso comer frutas (nem todas e nem em grandes quantidades), legumes, alimentos 100% integrais e proteínas. Também desde o dia primeiro de janeiro, comecei a medir a minha glicose três vezes por semana, quatro vezes por dia. Ainda não sei o resultado das minhas medições porque ainda não traçamos o meu perfil, mas pesquisando na internet, vi que, a princípio, os números estão ótimos já que variam de 80 a 100.

Ok, mas o que, diabos, eu aprendi com a Diabetes Gestacional? Primeiro, aprendi a escolher e selecionar o que coloco para dentro do meu corpo. Lendo os rótulos, vi o quanto de substâncias ingerimos sem nem imaginar o mal que fazem. Esses produtos “0 açúcar”, por exemplo, em geral são CHEIOS de químicas disfarçadas que são tão prejudiciais quanto o próprio açúcar! Também entendi que na vida aprendemos pela dor ou pelo amor…hahaha…às vezes é preciso uma chacoalhada dessa para que paremos tudo o que estamos fazendo para refletirmos sobre nossas atitudes. E isso vale para todas as outras áreas da minha vida. Ah, de quebra, em quinze dias, perdi dois quilos, mesmo sem querer já que na gravidez não podemos perder peso e sem passar fome, e não inchei nadinha até agora.

Enfim, comecei o ano como sempre desejei, me alimentando de forma saudável, mesmo que meio obrigada.

Aproveito para desejar a todas vocês um excelente 2015. Que você aprenda mais pelo amor, mas que se a vida lhe impuser condições um tanto arbitrárias e chatinhas, como aconteceu comigo, você as acolha, agradeça e faça diferente.

E se você também descobriu que tem Diabetes Gestacional, acalme-se e procure o seu médico. Nada está perdido. Ah, se alguém também passou por isso e deseja compartilhar a sua experiência, ficarei super feliz e grata pelas dicas ou sugestões. Nessas horas, vale demais escutarmos histórias (de sucesso, por favor) alheias.

Até mês que vem.

Beijos, Juliana Baron

juliana-baron-pinheiro

Juliana Baron é um milhão de mulheres em uma só e isso, às vezes, gera uma confusão absurda (por isso, tanta terapia) e, consequentemente, muito assunto para escrever. É apaixonada pelo universo feminino e pretende trabalhar com ele assim que se formar em Psicologia. É mãe do João e está grávida de mais um menino, mas jura que vive uma vida para além da maternidade. É coach, gosta de ler, de escrever, de organizar armários, de colecionar coisas e de relembrar a infância.

Você também me encontra em Blogpsicologando.com 🙂

 

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