– Mãe, como tu lava teu cabelo?

– Ué filho, lavo no chuveiro.

– Mas tu só lava quando vai na casa da minha vó, né? Porque mãe que lava cabelo de filho. Você que disse, ué.

Esse é o meu Dudu. E a regra que eu inventei, contra mim mesma.

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Outro domingo qualquer, voltando da pizzaria com um casal de amigos:

– Mãe, posso dormir na casa do tio Digo e da tia Mi?

– Não dá filho, acho que lá não tem cama de criança, só cama de cachorro.

(momento de reflexão sobre o assunto)

– Ele morde?

(se não morder tudo certo, aceito a cama canina e ainda petisco um bifinho)

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Argumentador e independente, ele fica bem em qualquer canto, com qualquer pessoa.

Às vezes até demais, tanto que levou o apelido de folgado aqui em casa. Porque sim, ele é um lindo folgado.

Chama o garçom no restaurante, pede o que quer, chega na casa dos outros e pede comida, pergunta o que vai ganhar de aniversário para-qualquer-um, ainda que eu tente explicar que não é legal, sempre escapa.

Ele QUER comer sozinho, assim como QUER recortar sozinho, e QUER se enxugar sozinho.

É uma briga quando eu preciso apressar e dar uma colherada na boca sem que ele esteja afim.

Normalmente vem o choro, e ele procura o espelho mais próximo pra se admirar enquanto manifesta suas caras e bocas dramáticas.

“Sou lindo”, ele pensa.

diario-do-dudu

Arruma o quarto sozinho – e adora. Esses dias tirou todos os sapatos pra fora porque, segundo ele, os pares não estavam juntos.

Guardou tudo de novo, do jeito dele, claro. Ai de quem perder uma pecinha dos brinquedos, ou guardar as coisas nas caixas erradas.

“Ô família!”. É assim que ele comunica eu e o pai dele ao mesmo tempo.

Parceiro de tudo, restaurante, cinema, viagens, fila, avião… Bate autos papos e adora um um passeio, é assim desde bebê.

Fica pê da vida quando a gente tá no celular. Não curte muito os eletrônicos. Tem o iPad, mas troca por qualquer brincadeira à moda antiga.

Nem dá muita bola, raramente pede por ele.

Gosta mesmo de correr, jogar futebol, brincar com os heróis, fazer comidinha e pintura.

Gosta de aventura, de gente, de papear. ZERO introspectivo. Sempre fico tensa com medo de ele falar alguma besteira e me colocar em maus lençóis.

Tem um celular de verdade, velho e que não funciona. Não brinca com ele.

Mas precisa sempre saber onde está. De vez em quando, do nada: Cadê meu celular? (leia no tom de Quedê meu xinélo?) – Acho que Freud explica.

AMA dormir. Chega, às vezes, a pedir pra ir dormir.

mae-feliz

Passa o dia todo mastigando, se deixar. Abre a geladeira umas 77632564 vezes por dia. SÓ quer comer. O tempo todo.

Ama frutas e algumas (menos, só que beem menos) verduras. CHOCOLOVER, igual quenem à sua mãe. Churrascaria tem prejuízo, assim como rodízio de pizza.

Restam basicamente dois erros de pronúncia, que não faço a mínima questão de corrigir #adeusbebê. “Vem com migo mamãe”.

E o verbo tirar ainda não tem o som do “r”, fica tiár, e ele conjuga todos os tempos dessa forma.

Isso sem contar os outros verbos e palavras hi-lá-rias que ele inventa e que a gente acopla ao nosso vocabulário.

“Fendar” significa apertar com a chave de fenda.

“Cortaria” lugar de cortar o cabelo.

“Mulinho” é frango (não sei o por quê, mas pegou!).

Esses coloquei ele de castigo porque me chamou de “Imbecilda”. E corri pro quarto pra rir, porque imbecilda foi bom.

Carinhoso, grude, amável, engraçado, carismático, sensível e tagarela.

Pede um irmão, mas quando vê um cachorro muda de ideia. E eu também (pelo menos reflito).

Mas aí quando não vê cachorro, quer um irmão. E eu também (pelo menos reflito).

dudu-lindo

Completa 4 anos no dia 24 de agosto!

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