Conforma a teoria da exterogestação, criada pelo antropólogo ingles Ashley Montagu, o bebê humano precisou nascer “antes do tempo” a medida que o ser humano adquiriu inteligência e um cérebro maior ao longo da evolução. Caso contrário não seria possível que a cabeça da criança passasse pela pélvis da mãe no parto. 

“Por nascerem imaturos, antes que seu sistema nervoso central esteja completamente amadurecido, os seres humanos demorariam mais tempo para andar em comparação às demais espécies animas, sendo extremamente dependentes de cuidados”, explica Giuliana de Freitas Fongaro, pediatra do Sabará Hospital Infantil para esse artigo. 

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“O potrinho sai da égua e em uma hora ele está de pé, uma crianca leva cerca 10 meses para ficar em pé. A gente precisa ser gestado fora do útero”, explicou o pediatra Daniel Becker, do @pediatriaintegralbr, em recente palestra na Escola de Pais.

Assim, o bebê continuaria sendo “gestado” fora do útero por 100 dias após o nascimento (o chamado quarto trimestre). É importante que a família esteja preparada para esse período, quando o bebê precisará de mais zelo, atenção e e cuidados que o ajudem a fazer a transição entre o ambiente intrauterino e o mundo externo. Nesse fase, quando o bebê e mãe experimentam uma fusão, é imprescindível uma rede de apoio, seja ela paga ou não, para ajudar nos cuidados com o bebê, a casa e a alimentação.  

Reproduzir o ambiente intrauterino é algo que pode trazer mais conforto para o pequeno.

“O colo vira o útero, o peito é o cordão umbilical. Isso é muito importante para o bebê. Os pais também não devem ter a expectativa de que o bebê não vai chorar, que vai dormir 8 horas por dia. Nos primeiros meses é normal chorar , querer dormir no colo da mãe, não gostar de berço. É importante trabalhar isso no pré-natal e se preparar. Existe uma fusão entre mãe e bebê, mas o pai também pode fazer tudo: colo, sling, ninar, etc. Só não pode amamentar. Essa fusão vai se reduzido e aos poucos a mãe começa a ter mais liberdade”, finaliza o pediatra Daniel Becker. 

O guia dos 100 dias

Ruído branco: lá em casa não tivemos muito resultado, mas muitas mães indicam o ruído branco, que são sons que simulam o barulho intrauterino, como o som de um secador de cabelo ou da cabine de avião. Basta procurar ruído branco no Spotify. Cantar também funciona. 

Balancinho: relembrar o balanço da barriga, onde nao existia gravidade, também pode acalmar o bebê. A bola de pilates é nossa aliada até hoje para ninar a Teresa. Cadeira de balanço é uma boa também. 

Embrulhadinho: no útero o bebê se sentia seguro num espaço pequeno e quentinho. Tente o sling junto ao corpo ou enrolar o bebê em um pacotinho feito com fraldas e mantê-lo junto ao corpo. Hoje em dia também se encontra o ninho, que dá uma contenção segura ao bebê. A Teresa amava esse. 

Contato pele a pele: faça contato pele a pele com o bebê, seja no sling, no momento da amamentação ou na hora do banho. O banho de chuveiro deu muito certo lá em casa. Nunca usamos banheira, e até hoje a Teresa ama. Também converse com seu pediatra para um banho de chuveiro seguro.

Livre demanda: no quesito acalmar o bebê, o peito é  hors concours. Seja pelo contato pele a pele, pela alimentação em si ou pela chamada sucção não-nutritiva. A sucção de outros bicos, como a chupeta, também acalma, mas antes de oferecer converse com seu pediatra. Muitos médicos alertam que a chupeta pode colaborar para o desmame precoce. 

Rede de apoio: paga ou não, é necessária para atravessar o período sem surtar. Já tente articular quem vai ajudar vocês antes da chegada do pequeno. Terapia também é uma aliada para mães e pais. 

Muito amor e paciência: se possível programe-se para estar o mais presente e entregue possível nesses primeiros 100 dias. Vai passar e vai sim dar saudade dessa fase.  

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