Por Juliana Baron

Semana passada, assisti a um vídeo sugerido pela psicóloga do meu grupo de terapia, que falava sobre “filhos órfãos de pais vivos”:

Apesar da conotação religiosa do vídeo, que foi feito em um congresso chamado “Mulheres diante do trono”, refleti muito sobre a fala de Helena Tannure nos primeiros dez minutos e fiquei com vontade de compartilhar a reflexão com vocês.

Segundo a palestrante, a expressão foi retirada do livro de Sergio Sinay, “Sociedade dos filhos órfãos – quando pais e mães abandonam suas responsabilidades” (que eu ainda não li, mas estou louca para ler).

Apesar de ela soar um tanto exagerada, acredito que a ideia do autor era, justamente, chamar a atenção para esse abandono afetivo cada vez mais recorrente.

Engraçado que na mesma época em que soube do vídeo pela primeira vez, uma amiga ligou querendo conversar sobre o dilema que está vivendo entre continuar trabalhando ou passar mais tempo com a sua filha.

Ainda não finalizamos a conversa, mas pensando sobre esse desabafo e depois de ouvir a fala da Helena, concluí que estar com os filhos deve ser sempre prioridade e a escolha mais importante.

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Já deixo claro que essa é a MINHA posição. É a posição da Juliana mãe, Juliana estudante de Psicologia, Juliana que adora observar o comportamento das crianças e dos seus pais e da Juliana que adora repensar a sua maternidade.

Como só posso falar do lugar onde estou, só posso falar através das lentes da minha própria experiência.

A intenção também não é criticar ninguém porque eu mesma sempre coloco a minha postura na balança.

Mesmo sabendo que não terceirizo por completo a educação do meu filho, sei que poderia ser muito mais presente na vida dele.

Enfim, Helena traz na sua fala um ponto importante que percebo ser uma dúvida constante na cabeça das mulheres que se tornam mães: trabalhar ou não trabalhar fora?

Acredito que essa é uma questão bem individual. Algumas gostam de verdade e precisam se desenvolver na área profissional porque isso é um valor importante para elas.

Outras o fazem porque precisam do dinheiro e outras decidem por deixar um pouco a carreira de lado para se dedicarem exclusivamente à prole.

Penso que todas essas escolhas são muito dignas, se forem feitas pelo coração e se forem uma escolha consciente das mães.

Vejo muitas atendendo à cobrança da sociedade e indo trabalhar com o coração apertado.

Sei que várias irão alegar que precisam trabalhar fora porque a família precisa daquele valor, mas digo que conheço inúmeras mães que criaram trabalhos alternativos (artesanato, venda de roupa, blog, empresa de decoração de festa infantil) para poder ganhar dinheiro e ao mesmo tempo, ficar mais tempo com os filhos.

Porque a questão não é nem o trabalhar fora em si, mas o tempo dedicado ao trabalho que é, consequentemente, retirado do tempo que se passa com os filhos.

Para as que utilizam o argumento de que o que vale é a qualidade do tempo, aviso que já ouvi muita teoria psicológica contra essa velha afirmação porque a quantidade importa sim, e muito.

A qualidade também, mas ela não retira a importância da quantidade de tempo.

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Pensando sobre esse assunto, lembrei de um dos meus textos mais acessados e comentados até hoje foi o Não tenha filhos! aonde escrevo, justamente, sobre essa responsabilidade dos pais.

Quando o escrevi, fiquei com medo das críticas, mas depois fiquei abismada com o tanto de pessoas que pensam como eu:

“(…) se você não está disposto a ser pai ou mãe, o que vai muito além de apenas ter um filho, se a sua imagem de paternidade ou maternidade se baseia naquelas crianças sorrindo brincando no parque (o que acontecerá em 0,0001% da sua semana), se você pensa em tê-los para não se sentir sozinho no futuro ou para corrigir erros que você mesmo cometeu na vida, não tenha filhos! Não transfira para uma criança toda a sua carga de frustrações ou a responsabilidade de transformar a sua vida. Sim, crianças trazem alegria e te apresentam um amor sem tamanho, mas elas exigem muita doação, muita entrega e muito tempo disponível”.

Se você, assim como eu num primeiro momento, está achando que não está incluído nesse grupo de pais ausentes, que eles são uma aberração e estão muito distantes de você, convido-lhe a se auto observar com calma, atenção e honestidade.

Repare em quantas vezes você diz “já vou”, “agora não dá” ou fica passeando nas redes sociais ao invés de dar atenção ao seu filho.

Calma, a ideia não é que ninguém corte os pulsos ou se abandone por completo.

Tudo é uma questão de bom senso, mas procure refletir sobre o que você quer para o futuro do seu filho, o que vem fazendo para isso e o quanto o amor é algo que não pode ser substituído por grandes festas, viagens ou presentes.

Até o próximo mês e aguardo a participação de vocês.

Escrito por Juliana Baron Pinheiro – Blog Psicologando

Juliana Baron é um milhão de mulheres em uma só e isso, às vezes, gera uma confusão absurda (por isso, tanta terapia) e, consequentemente, muito assunto para escrever. É apaixonada pelo universo feminino e pretende trabalhar com ele assim que se formar em Psicologia. É mãe do João e está grávida de mais um menino, mas jura que vive uma vida para além da maternidade. Gosta de ler, de escrever, de organizar armários, de colecionar coisas e de relembrar a infância.

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As mãe pira

 

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