O assunto começou como um ponto de interrogação nos meus questionamentos, depois virou uma reflexão solitária.

Por fim, pensando melhor e percebendo a gravidade do mesmo, decidi compartilhá-lo com o máximo de pessoas possíveis.

Preste atenção: estão roubando a infância dos nossos filhos!

Percebo que está ocorrendo o que se chama de processo de “adultização da infância”.

Fenômeno esse que depois de feito, não tem volta.

Como os meus questionamentos surgiram depois de ver algumas fotos de crianças em blogs de moda e redes sociais, vou acabar me dirigindo às meninas e às suas mães em especial, mas saiba que esse processo ocorre também em outras esferas.

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Confesso que num primeiro momento, eu até achei bonitinhas essas meninas vestidas como adultas, com bolsas e óculos, posando para a foto.

Por um tempo, até as segui em algumas redes sociais e foi aí que eu fiquei espantada.

Além da exploração que constatei da imagem de crianças, fiquei consternada com a rotina de algumas delas.

Atente: crianças! Aquelas que estão numa fase super importante do desenvolvimento e que por pressuposto, deveriam estar praticando atividades nesse sentido.

E eu não falo aqui só como uma mãe, que por conta disso convive com outras mães e seus filhos, como uma pessoa que lê e que adora observar os comportamentos manifestos ao seu redor, mas como uma estudante de Psicologia.

Nesse semestre tive a primeira disciplina de Psicologia do Desenvolvimento e estudamos, justamente, sobre as primeiras infâncias, suas fases, o quanto ela é um processo gradual, construído degrau a degrau e o quanto ela é fundamental para que alguém se torne um adulto bacana.

Sei que algumas mães irão alegar que as filhas gostam, que elas pedem, que elas não saem de casa sem passar um batom.

Mas essas mães são como aqueles pais que dizem que o filho só come bolacha recheada. No café da manhã, no almoço e no jantar.

Me diz, por acaso o filho pega o seu carro, dirige até o supermercado, escolhe o pacote de bolacha, paga com o seu dinheiro e volta para comer?

Pois é. Pense que a criança nessa fase é uma esponja, uma concha, pronta para absorver tudo o que os seus pais tiverem capacidade e disposição de ensinar.

Logicamente que isso não quer dizer que uma mãe não pode se arrumar para que a filha não faça o mesmo e nem que uma menina não possa usar maquiagem, de vez em quando, para imitar sua figura materna.

Acredito que esse movimento até faça parte de um processo de identificação da criança. Só penso que ele não deva fazer parte da rotina infantil, como uma espécie de brincadeira ou até “obrigação”.

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Sim, compreendo que a mídia também é uma péssima influência nesse sentido, mas não se satisfaça apenas reclamando do papel dela.

Controle o que o seu filho assiste, acompanhe aquilo que ele faz e esteja atento às suas manifestações.

Dia desses escutei uma história um tanto engraçada, mas um tanto triste. Uma mãe enquanto cozinhava, foi solicitada pelo seu filho para que ela olhasse o desenho que ele estava fazendo.

Ela, envolvida nas demandas do almoço, sem levantar os olhos, apenas incentivou que o menino continuasse desenhando e elogiou o seu trabalho, mesmo sem tê-lo visto.

Então, quando ela se deu conta, o desenho em questão estava sendo desenvolvido na parede da sua sala.

Nesse caso, ela não tinha nem como brigar, já que tinha estimulado e tinha aprovado a ação.

Portanto, não deixe com que roubem essa fase que é tão importante para uma criança.

Não antecipe conceitos e sentidos, não afrouxe os limites, não finja que não está vendo.

Ofereça mais aos seus filhos. Ofereça mais educação, mais valores, mais opções de lazer, mais infância!

Pense que essa perda não tem volta e o mais provável é que uma pessoa que não viveu essa fase plenamente se tornará um sujeito infantilizado.

Escrito por Juliana Baron Pinheiro – Blog Psicologando 

 

 

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