A dentista Amanda Lima é gestante e, depois de passar por uma gengivite gravídica, criou um guia bem útil e super completo sobre os cuidados que as gestantes devem ter com a saúde bucal, além de tirar dúvidas sobre o assunto. Confira: 

“Embora muitos procedimentos dentários eletivos possam ser adiados para depois da gravidez, o tratamento dentário para a mulher grávida que tem dor oral, doença avançada ou infecção não pode ser retardado. A paciente gestante que está com dor merece analgesia tanto quanto qualquer outro paciente.

O importante é que a gestante mantenha pelo menos uma vez durante a gestação a visita ao dentista para manter saúde bucal, fazer o pré-natal odontológico, durante a gestação. Importante fazer a profilaxia (limpeza) que  irá prevenir complicações futuras, e estará com a consciência tranquila de que, agindo na saúde bucal, você estará contribuindo para manter sua saúde geral, e é claro, do bebê.

 Apesar da crença de que mulheres grávidas não podem receber tratamento ou assistência odontológica, o conhecimento científico de hoje mostra que qualquer tratamento odontológico pode ser realizado durante a gestação. Na literatura há consenso de que o segundo trimestre é o período de preferência para os tratamentos dentários (no caso de se tratar de uma emergência em outras fases da gestação, imprescindível realizar uma boa anamnese e contactar o médico da gestante, para obter informações complementares sobre a saúde geral dela).

Para atender sem riscos, além do conhecimento profissional,  deve haver a comunicação do profissional dentista com médico da gestante e duração limitada de tratamento.

A paciente grávida apresenta situações especiais de tratamento para o dentista . O profissional não só é responsável pelo atendimento eficaz e seguro à gestante, mas também deve preocupar-se com a segurança do feto, de modo que dentista e a paciente sintam-se tranqüilos com qualquer tratamento que for realizado.

Relação entre o tratamento odontológico e complicações no parto ou problemas no nascimento

Na verdade, complicações assim são mais comumente causados por nutrição pobre, fumo, consumo de álcool, doenças e predisposição genética. Manter um estilo de vida saudável, incluindo excelente saúde oral, é essencial para a mulher que está grávida atualmente ou que está planejando engravidar. 

Sobre instruções quanto à higiene bucal, limpeza dentária no consultório e a aplicação tópica de flúor podem ser realizadas em qualquer época do período gestacional sem oferecer perigos ao feto. Rotina dental de limpeza e controle de placa com higiene oral reforçada pode também ser realizada durante qualquer trimestre, uma vez que gengivite na gravidez é a condição mais comum.

E o que é gengivite? É uma resposta inflamatória à presença de placa bacteriana, que pode ser piorar devido ao aumento na quantidade dos hormônios femininos, irritantes locais e certas bactérias orais.  Na gestação é chamada de gengivite gravídica.

Às vezes pode-se ter o desenvolvimento do tumor gravídico, uma lesão benigna da gengiva que surge na gengiva entre os dentes anteriores da maxila. Este tumor é conhecido por sumir espontaneamente dentro de meses após o fim da gravidez. Pra você saber: ele é vermelho, geralmente não ultrapassa de 2cm, não dói, e sangra ao toque. 

Relação entre doença periodontal e parto prematuro

Sim. Existe risco significante de parto prematuro e baixo peso ao nascer. Doença periodontal são geralmente infecções de bactérias (como Porphyromonas intermedia, P. gengivalis ). Em estudos a bactéria P. gengivalis tem sido associada com gravidez anormal resultado de uma redução do peso fetal e parto prematuro.

Tem estudos também que relatam que  citocinas maternas produzidas em resposta para a infecção bacteriana, como PGE 2 (prostaglandinas), que podem causar dano ao desenvolvimento do feto.

Além das doenças periodontais, a doença cárie também pode exibir uma incidência aumentada. O aumento de açúcares e carboidratos sobre um extenso tempo, aumenta o risco de cáries. Além disso, a gestante faz refeições curtas com intervalos menores, estando sempre com o pH alterado.

A erosão nos dentes é possível durante a gravidez devido a enjôos freqüentes. Repetidas regurgitações podem danificar a estrutura dental devido ao ácido estomacal que literalmente dissolve esmalte e dentina. Este fenômeno é tipicamente diagnosticado de observação na superfície lingual de dentes anteriores.

A marca da prevenção em Odontologia é o controle da placa através de apropriadas técnicas de higiene oral. Saúde oral não é importante apenas para a gestante, mas também para o futuro bebê.

Anestésicos

O cirurgião-dentista deve conhecer as propriedades e limitações de cada uma das soluções anestésicas, bem como a melhor época de se realizar o tratamento nas pacientes grávidas para adquirir das mesmas uma maior confiança, otimizando o

tratamento . Para as gestantes, no que se refere à classe dos anestésicos, deve-se decidir pela anestesia local. O anestésico local mais comum usado em Odontologia é a lidocaína combinada com um vasoconstritor . 

Radiografias

Todas as radiografias odontológicas necessárias podem ser feitas durante a gravidez. O cirurgião-dentista é moralmente e eticamente obrigado a prover proteção da seguinte maneira: evitar radiografias desnecessárias, proteger o abdome com avental de chumbo, evitar repetições por erro de técnica, evitar ângulos direcionados para o abdome, proteção do colimador, usar filmes rápidos e pequenos tempos de exposição. Se estas precauções são tomadas, radiografias dentárias podem ser feitas com segurança, mesmo no 1 trimestre de gravidez .

A quantia de radiação usada nas radiografias dentárias é bem abaixo da dose limiar. 

Fármacos

A paciente gestante deve ser tratada com uma atenção especial, pois a gravidez induz a uma série de alterações orgânicas capazes de influenciar a cinética e a dinâmica dos fármacos, além do fato de que qualquer droga administrada à gestante chega ao feto, passando por meio da barreira placentária .

Considerando que certos medicamentos apresentam potencial teratogênico e abortivo, o profissional da área da saúde que prescreve deve ter perfeito conhecimento dos efeitos benéficos e indesejáveis dos medicamentos para receitá-los com segurança. Nenhum medicamento deveria ser prescrito durante a gravidez, e mesmo quando indicados, devem ser utilizados somente nos casos de real necessidade. Felizmente, a maioria das drogas habitualmente utilizadas em Odontologia não tem contra-indicações durante a gravidez .

Flúor

O flúor é a substância mais promissora para a prevenção da cárie dentária e, por essa razão, tem sido objeto de diversas pesquisas científicas. É consenso na literatura que suplementos fluoretados não são necessários para pacientes que bebem água encanada com flúor. Embora flúor tópico não seja contra-indicado na gravidez, seu efeito será sobre os dentes da mãe, e não sobre os dentes do bebê .

Mas usar suplementos de flúor pré-natal está contra-indicada em função da ausência de evidências científicas que demonstrem benefício para os dentes do bebê em desenvolvimento. 

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