Acho que escolher o tipo de parto é uma das coisas mais delicadas da gestação.

Logo após a descoberta da gravidez, vem a preocupação com o parto.

São 9 meses pensando sobre o assunto.

9 meses assistindo a vídeos de bebês nascendo das mais variadas formas.

“Oun! Que lindo esse parto na água!”. “Nossa, mas ela nem sentiu dor!!” (edição de vídeo que se chama, minha gente!).

Aliás, deixo aqui o vídeo do segundo parto da Bela Gil que achei lindo e me encorajou a ter a minha filha da forma mais natural possível.

Como vai ser? Como é a dor? Eu aguento? O bebê aguenta? Quais são os tipos de parto? Qual vai ser o meu?

Claro que a decisão sobre qual parto realizar está ligada a uma série de fatores, vai desde a saúde da mãe até a resposta do bebê durante o trabalho de parto.

Mas é fundamental que você conheça as opções disponíveis para que, bem informada, possa decidir o que considera melhor para você e seu filho.

É preciso entender que esse momento é seu! Então você tem o direito de planejar, de dizer o que deseja.

Aproveite as consultas de pré-natal para conversar com o obstetra. Deixe o seu médico e quem mais lhe interessar avisado sobre como você quer dar à luz.

Se preferir pegar o plantonista do dia e não pagar pelo chamado do médico (como foi o meu caso), faça um plano de parto antecipadamente e apresente-o na recepção da maternidade (se preferir, dê nas mãos do médico).

É interessante que o companheiro ou acompanhante ajude a fazer o plano.

No dia do nascimento, eles serão mais capazes de tomar uma decisão que vá de acordo com o que foi conversado e escrito entre vocês.

Se não fosse o Felipe, o plano de parto e minha doula, eu teria ido pra cesárea no primeiro toque da doutora que me atendeu.

Então vamos lá! Comece a se preparar sabendo os tipos de parto que existem.

Os tipos de parto

Cesárea ou cesariana

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É o campeão entre os tipos de parto feito no Brasil.

Enquanto a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que 15% dos nascimentos sejam via cesariana, no País, na rede privada, as taxas chegam aos assustadores 82% e, na rede pública, a 52%.

É um tipo de parto no qual o bebê é extraído por um corte no ventre e útero da mãe.

Portanto, trata-se de uma cirurgia, com corte profundo nos tecidos.

A mulher não sente dores pois está anestesiada. Porém, o pós-operatório varia de acordo com o organismo da mulher.

Tem as que sentem muitas dores no local da cirurgia e outras que não sentem nada.

A anestesia peridural permite que a gestante fique acordada e acompanhe o nascimento.

É recomendada quando a mãe ou o bebê estão em risco.

Atenção! A cesárea têm sido escolhida por médicos e pacientes no Brasil mais por comodidade do que por necessidade.

A ponto de o Ministério da Saúde criar uma campanha para evitar partos por cesárea desnecessários.

Por isso, recomendo: faça o Plano de Parto. (dá um conforto no coração!)

Parto Normal

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Trata-se da via pela qual a vinda do bebê ao mundo acontece de forma natural, através das contrações do útero com saída pelo canal vaginal.

Este é o mais recomendado dentre os todos tipos de parto que existem.

Geralmente é feito em hospital ou maternidade e pode-se usar pequenas doses de anestesia para amenizar as dores da mulher e de ocitocina para ajudar nas contrações.

Eu fiz uso dos dois primeiros aí porque gente, não deu. Hahaha! (Mas tenho fé que o próximo será na água, sem nada disso).

Uma das grandes vantagens é a recuperação no pós-parto ser mais rápida e a mulher pode voltar logo às suas atividades.

É recomendado uma preparação antes do parto, como exercícios para o períneo e de respiração.

Além de conhecer o histórico do médico, descubra se ele realmente faz partos normais.

Isso diminui as chances de frustração e aumentam as de sucesso no parto.

Parto Humanizado

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Difere do parto normal por não usar nenhum tipo de intervenção (anestesias, uso de hormônios, cortes), nem de seguir protocolos.

A mulher é a protagonista do nascimento do seu filho, onde as necessidades e escolhas dela são respeitadas e discutidas com profissionais com essa visão, usando da medicina baseada em evidências científicas.

A gestante escolhe o local onde deseja dar à luz, se em casa ou no hospital (já existem maternidades adeptas ao parto humanizado), quem ela quer que a acompanhe neste momento.

Além de dar a liberdade de se mexer, mudar loucamente de posição no trabalho de parto, tomar água e comer (sim, é quase que proibido ingerir líquidos e alimentos durante o trabalho de parto feito em hospitais), escutar música e por aí vai.

Resumindo: o parto é assistido, não impõe protocolos. Existe a espera do trabalho de parto, a espontaneidade de parir, sem medicalização.

Há também o respeito pela privacidade e pelas escolhas da mulher.

E o melhor, não tem aquela loucura de cortar o cordão umbilical às pressas, nem de puxar a placenta sem nem esperar o útero expulsá-la sozinho.

Além de poder amamentar o bebê logo em seguida.

O parto humanizado sofreu preconceito durante muito tempo, mas isso tem mudado nos últimos anos (imagino que seja o acesso à informação).

É cada vez mais comum ver mulheres aderindo a este tipo de parto.

Trazendo seu filho ao som das músicas preferidas, na comodidade da sua casa, sem pressa de cortar o cordão umbilical e dando de mamar logo em seguida.

Ponto para as mulheres!

Parto de Cócoras

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É inspirado nos partos das mulheres indígenas.

Realizado da mesma maneira que o natural, muda-se apenas a posição da mãe que, em vez de ficar na posição ginecológica normal, mantém-se de cócoras.

É geralmente um parto mais rápido, pois é auxiliado pela gravidade devido à posição vertical. Sendo, assim, geralmente mais cômodo para a mulher.

A dor fica mais amena nesta posição e há menos risco de comprometimento do períneo.

Este tipo de parto respeita o processo fisiológico, assim como as necessidades e desejos da gestante (no mesmo estilo do humanizado).

É necessário um preparo anterior, como por exemplo, o fortalecimento da musculatura das pernas com exercícios.

Em alguns hospitais já é possível encontrar uma cadeira especial para a mãe se apoiar durante este tipo de parto.

Parto na Água

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Parto natural feito dentro da água. Normalmente, a mulher entra em uma banheira ou piscina em temperatura morna quando começa a sentir muita dor na contração.

É interessante que caiba mais de uma pessoa dentro, assim o maridão pode entrar, fazer parte e ajudar nesse momento tão importante.

Já existem hospitais adaptados com banheiras para este tipo de parto, mas ele também pode ser feito em casa, sempre assistido por um médico e uma doula.

A vantagem é oferecer ao recém nascido uma transição agradável entre o útero e o exterior.

E não gente, ele não se afoga. No momento do nascimento o bebê ainda respira pelo cordão umbilical, durante uns 20 segundos, até o seu pulmãozinho se expandir lentamente.

Decorre dos mesmos moldes do humanizado, respeitando as escolhas da mulher e às necessidades do bebê.

Parto Leboyer

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Também chamado de “parto sem violência”, é um tipo de parto onde se tenta não estressar o bebê, tornando sua primeira experiência fora do útero menos “traumática”.

Foi criado pelo médico obstetra francês Frédérik Leboyer e introduzido no Brasil na década de 1970.

A ideia é que o nascimento seja feito num ambiente tranquilo, e o mais “parecido” possível com o útero materno.

Para isso, são utilizados pouca luz (para não incomodar o bebê); silêncio (principalmente depois do nascimento); ambiente quente (como o abdômen da mãe), a fim de atenuar o impacto da diferença entre o mundo intrauterino e extrauterino e corte do cordão umbilical é feito só quando para de pulsar.

A amamentação é precoce e o banho realizado junto com os pais.

Parto à Fórceps

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É quando se usa o instrumento “fórceps”. Em formato de pinça, tem duas partes alongadas e conectadas que se curvam nas pontas para envolver a cabeça do bebê.

Ocorre quando um parto normal evolui com dificuldades para a saída do bebê. E é usado apenas em emergências.

Para usá-lo é necessária a realização de episiotomia no períneo para a introdução do instrumento e o posicionamento na cabeça do bebê.

Antigamente, o uso de fórceps era sinônimo de sofrimento, mas hoje, o instrumento tem um papel inverso, aliviando o trabalho do parto e poupando desgastes da mãe e do bebê, se necessário.

Apesar disso, é considerada uma técnica polêmica, pois o parto com fórceps poderia oferecer um risco maior se o instrumento não for utilizado de forma correta, causando lesões para a mãe e para o bebê.

Esses são os tipos de parto. Decida qual você quer e tenha em mente que, durante o trabalho de parto, tudo pode mudar.

Você pode sentir necessidade de tentar outras posições, receber carinhos ou sequer vai querer ser tocada (meu caso!).

Acerte os detalhes com quem for te acompanhar (médico, marido, parente, amiga, doula).

Procure médicos e especialistas de confiança e que te encorajem neste momento.

Seus desejos e necessidades devem ser respeitados!

E mesmo que o seu parto não saia como o esperado, não se frustre. Você fez o seu melhor!

Relaxe, entre na partolândia e renasça, mãe! Bom parto!

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