por Juliana Baron

 

Se você costuma ler textos sobre maternidade, já deve estar cansada do papinho de que vivemos nos equilibrando entre todos os nossos papéis como mulher e já deve ter lido muitas dicas ou promessas milagrosas de aproveitamento eficaz do seu tempo. Porém, hoje resolvi fazer o papel de advogada do diabo e vim lhe dizer, como coach, como mãe, como leitora voraz de livros nesse sentido e como alguém que recebe todos os dias alguns pedidos de ‘”ajuda” de quem se diz precisado de luz, que você nunca irá conseguir dar conta de tudo o que você deseja fazer, num período de 24 horas. I´m sorry.

Juro que não quero ser pessimista e nem estragar o seu início promissor de ano.

Imagino que você estivesse cheia de esperança de que em 2015 zeraria sua lista de pendências e conseguiria terminar o ano com a bunda dura, com um casamento feliz, com filhos bem educados, fluentes em inglês e exímios nadadores, com a conta do banco bem gorda de comissões e com a tão sonhada graduação no curso de culinária fitness. Só que eu preciso lhe dizer que não vai rolar. Sabe por quê? Porque o problema não é a quantidade de tempo que lhe é dada todos os dias. A impossibilidade se dá, em decorrência da quantidade de coisas que você quer fazer.

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Agora você pode estar aí dizendo para si mesma que dá conta sim da missão, que nem são assim tantas atividades, mas esse é o momento de reconhecer que nem sempre, querer é poder, mãe!

Penso eu que você é capaz de fazer qualquer coisa, mas não tudo ao mesmo tempo. Vai dizer que você nunca esqueceu um pouco do casamento por conta do cansaço, ou trabalhou pelo celular enquanto fingia brincar com o filho, ou pediu pizza para o jantar porque na hora que esteve disponível, preferiu ir à drenagem ao invés do supermercado?

Garanto que assim como eu, você também acha, quase sempre, que poderia estar fazendo mais e melhor. Pois é, “alguém” inventou que mães são super mulheres e que tem super poderes. Aí nós, que adoramos sentir uma culpa e expandir nosso dom materno a tudo que nos cerca, abraçamos a causa e agora nos debatemos tentando encontrar uma solução para esse encaixe impossível.

E hoje eu vim dar essa solução? Claro que não!

Aliás, se você tiver, me conta, por favor. Hoje eu só vim dizer para você que tudo bem chegar ao verão que vem com a bunda mole, meio de bico com o marido, com um filho que tem medo de piscina e não tão ryca e phyna como gostaria. Porque existem motivos mais do que justificáveis para você não conseguir riscar todos os itens da(s) sua(s) lista(s).

Primeiro: você é humana e só tem 24 horas por dia.

Segundo: a maioria desses compromissos não é tão importante como você acredita que é.

Terceiro: você “perderá” muito tempo do seu ano, brincando com o seu filho, descansando as pernas, jogando conversa fora com o marido, enfim, vivendo para além das expectativas supervalorizadas que criou para si mesma. E não adianta culpar a sociedade ou a irritante da Gisele Bündchen, porque somos nós quem permitimos essa cobrança exacerbada.

Ok, sei que falei mal de dicas no início do texto, mas quero terminar esse post dizendo para você que uma possível “solução” é exercitar o poder de escolha das verdadeiras prioridades na sua vida. O texto teve um tom de brincadeira, mas é legal manter uma rotina de exercícios, namorar o marido, economizar, trabalhar, matricular o filho no inglês ou na natação.

A ideia é que nada vire um esforço excessivo ou um motivo para você se culpar ou se punir. Também não caia nessas promessas de aproveitamento de tempo feitas, muitas vezes, por pessoas que nem mães são. Nada contra, sem julgamentos, mas acredito que só quando temos filhos entendemos de verdade a dificuldade de aplicar teorias na prática, de conciliar resultados com amor.

Dá para se organizar de uma forma melhor? Dá! É importante traçar uma rotina e metas para otimizar o seu tempo? Muito! Mas cada uma sabe melhor do que ninguém o que lhe é fundamental ou prioridade.

Então, relaxe, mãe. Faça o que estiver ao seu alcance e o mais importante, aproveite cada instante da vida do seu filho, porque essa é uma meta insubstituível com um prazo imperdoável.

*****

Juliana Baron é um milhão de mulheres em uma só e isso, às vezes, gera uma confusão absurda (por isso, tanta terapia) e, consequentemente, muito assunto para escrever. É apaixonada pelo universo feminino e pretende trabalhar com ele assim que se formar em Psicologia. É mãe do João e está grávida de mais um menino, mas jura que vive uma vida para além da maternidade. É coach, gosta de ler, de escrever, de organizar armários, de colecionar coisas e de relembrar a infância.

Você também me encontra em Blogpsicologando.com

 

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