PÓ PARÁ com isso moça!

Foi o que eu tive vontade de falar, quando a enfermeira do laboratório (munida de uma seringa) disse ao Dudu:

– Calma, a tia não vai fazer nada com você, nem vai doer!

Na mesma hora eu rebati.

– A tia vai fazer uma picadinha e tirar um pouquinho do teu sangue filho, é chatinho sim, mas vai ter que fazer. A mamãe faz, o papai faz, os amiguinhos fazem. Logo passa e vamos brincar. Tô aqui contigo, vou segurar tua mão!

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Nós proporcionamos às crianças, muitas vezes, a ilusão de que temos o poder de blindar a dor e os problemas da vida. E ao contrário do Papai Noel e do Coelhinho, essa não é uma mentirinha indefesa.

Por que não ensiná-los a lidar, ao invés de blindar?

Quanto mais cedo eles souberem que nem tudo na vida tem uma solução mágica, mais compreensivos eles se tornarão no futuro.

E menos frustrados, pelo menos é o que eu acho (e o que o meu mínimo conhecimento em psicologia infantil me permite deduzir).

E quando digo ensinar a lidar, entendo que o primeiro passo é permitir com que eles expressem suas dores e medos, ajudando a dar nome aos sentimentos, na mais simples e franca das conversas.

Muito mais do que respostas e caminhos, nossa função é ouvir, dar suporte e ser solidário com a dor.

“Eu também estou triste, filho”, “uma vez eu bati nesse mesmo lugar e doeu em mim também, mas passou”, “a morte é algo muito triste, mas a saudade e as boas lembranças nos fortalecem”.

Essas são coisas que eu já disse pro Dudu, que recém completou seu terceiro ano.

Pretendo construir uma relação de cumplicidade ao longo da vida do meu filho.

E não de superproteção – o que na teoria funciona lindamente, mas na prática a pago a língua de vez em quando!

Ao dividir um problema com um amigo ou familiar, ele se torna mais leve, ainda que sem solução.

Por que não começar desde cedo incentivando nossos pequenos? Jamais devemos subestimar a capacidade de compreensão de uma criança.

Pensem nisso chiquitas.

Post originalmente publicado na Revista Donna, onde dou o ar da graça como colunista!

 

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